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Por: Ramon Vargas Leite, Vitor Kendi Iida Kosaka e Wallace Fernandes de Faria – Dê crédito aos autores!

Hospedagem Domiciliar em Jericoacoara – Ceara, Brasil

Jericoacoara

APRESENTAÇÃO

O turismo constitui hoje, uma atividade econômica e social importante na geração de renda e empregos no Brasil e no mundo, sendo observados benefícios principalmente nas regiões de destino. A realização da atividade turística, entretanto, pode acarretar em impactos negativos sobre a economia local (aumento do custo de vida, especulação imobiliária, instalação de empresas de fora da cidade, exclusão da comunidade local nos ganhos do turismo, etc.) e sobre a vida das comunidades locais (perda da identidade cultural, inserção de novos valores sociais e culturais, perturbação da ordem pública, etc.). Em resposta a esses impactos negativos, a criação de uma rede de hospedagem domiciliar têm sido uma alternativa de desenvolvimento e manutenção das comunidades locais de maneira sustentável.

Jericoacoara, distrito de Jijoca de Jericoacoara, manteve suas características originais como uma vila de pescadores até ser descoberta pela mídia e ser inserida no mercado de turismo domiciliar e internacional. O difícil acesso fez com que a vila mantivesse parte de suas características originais. Porém o desenvolvimento do turismo vem trazendo rápidas mudanças no ambiente e nas relações sociais da vila. As casas de pescadores que há poucas décadas representavam o único espaço para os turistas se abrigarem e que serviam como atividade complementar a renda familiar, vêm perdendo espaço para a construção de inúmeras pousadas sendo que algumas obedecem até mesmo padrões internacionais de qualidade.

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Por: Lucas BahienseDê crédito aos autores!

1 – A cidade hospitaleira

De acordo com Lúcio Grinover, a melhor forma de analisar se uma cidade é hospitaleira é analisando três dimensões fundamentais da cidade: acessibilidade, legibilidade e identidade.

1.1 – Acessibilidade

Uma política urbana correta deve se preocupar com o acesso à cidade por parte de qualquer indivíduo. Segundo Grinover, 2007 “A acessibilidade evoca diversos conceitos ligados às possibilidades de acesso dos indivíduos, ou de grupos sociais, a certas atividades ou a certos serviços que estão presentes na cidade, devendo proporcionar igualdade de oportunidade aos usuários urbanos. O acesso à cidade é direito de todos. Pode ser considerada como a disponibilidade de instalações ou meios físicos que permitem esse acesso, ou, ainda de acessibilidade sócio-econômica”.

Se formos analisar a acessibilidade física das cidades brasileiras em relação a como chegar a ela, por um lado perceberemos que são acessíveis. Afinal, é possível chegar à maioria das cidades brasileiras pelas rodovias, algumas por ferrovias e também pelos transportes aéreos.

No entanto, se analisarmos internamente uma cidade, tanto para a população residente quanto para turistas, notaremos a abordagem será diferente. Apesar da grande quantidade de pontes, avenidas e algumas evoluções em transportes urbanos, que interligam vários pontos a cidade e objetivam melhorar a qualidade do trânsito, perceberemos que as ruas e calçadas apresentam enormes dificuldades a idosos, crianças e deficientes físicos. Além disso, os transportes urbanos parecem ter sido elaborados somente para que pessoas jovens e sadias consigam utilizar.

Outra forma de termos acesso à cidade na atualidade, é através de meios de comunicação – televisão, revistas, jornais e internet. São muito utilizados pelo turista quando pretende visitar pela primeira vez uma cidade. É possível ter acesso a muitas informações sobre uma cidade por sites da Internet.

Quanto à acessibilidade sócio-econômica, também há um enorme problema. Muitas vezes, existem os serviços em determinadas cidades, mas infelizmente, devido ao baixo poder aquisitivo de grande parte da população brasileira, esses serviços são desfrutados por uma pequena parcela da população, ou até mesmo por turistas, que muitas vezes acabam tendo acesso a bens e serviços que o próprio morador não tem.

1.2 – Legibilidade

Por legibilidade, entende-se a qualidade visual de uma cidade, de um território, examinada por meio de estudos da imagem mental que dela fazem, antes de qualquer outro, os seus habitantes. (…) Com legibilidade pretende-se indicar a facilidade com que partes de uma cidade podem ser reconhecidas e organizadas num modelo coerente. (Grinover, 2007)

A imagem mental concentra-se na legibilidade (clareza) da paisagem das cidades. É um termo que possui a finalidade de indicar a facilidade com que as partes da cidade como obra arquitetônica podem ser reconhecidas e organizadas em um modelo coerente. Para Lynch, uma cidade poderia ser considerada coerente quando seus bairros, marcos e vias pudessem ser facilmente abstraídos em um modelo mental. Lynch acredita que um cenário urbano intenso e integrado é capaz de produzir uma imagem definida podendo, desse modo, desempenhar também um papel social oferecendo-se como um material objetivo na construção de símbolos e representações coletivas da comunicação do grupo. “No processo de orientação, o elo estratégico é a imagem ambiental, o quadro mental generalizado do mundo físico exterior de que cada indivíduo é portador. Essa imagem é produto tanto da sensação imediata quanto da lembrança de experiências passadas, e seu uso se presta a interpretar as informações e orientar ações”. (Kevin Lynch)

A cidade possui um sólido e poderoso significado expressivo, ou seja, ela é em si um forte símbolo social. Portanto, é possível perceber imagens públicas no meio urbano. As imagens públicas são imagens mentais comuns a vastos contingentes de habitantes de uma cidade. Elas são a interação de uma única realidade objetiva, de uma cultura e natureza fisiológica comum aos habitantes de determinada localidade.

1.3 – Identidade

A cidade é um sistema de signos, um vocabulário dominado pelo cidadão. Os lugares vivos constituem referências para a memória e as culturas locais. É essencial o cultivo da memória urbana. O historiador, o poeta, o músico fazem do todo e dos fragmentos da cidade o foco da organização de lembranças e da libertação de emoções. A emoção impregna o meio ambiente popular urbano. A cidade é um composto de pedras e tijolos acumulados, e de costumes e afetos praticados pela população urbana. (CANEVACCI)

A identidade de uma região, de uma cidade, é, ao mesmo tempo o passado vivido por seus atores e um futuro desejado por eles. (Grinover, 2007)

A identidade cultural pode ser analisada a partir dos conceitos social e cultural. O conceito de social diz respeito à totalidade das relações – de produção, de exploração, de dominação – que os grupos mantém entre si dentro de um mesmo conjunto – etnia, lugar, região, nação – e para com outros conjuntos. Portanto, a cultura, nada mais é do que o próprio social, mas considerado, sob o ângulo dos diferentes comportamentos individuais dos membros deste grupo, bem como suas produções originais.

Portanto, a identidade cultural é um processo de reconhecimento que o sujeito social realiza ao viver numa cultura e assume como algo próprio, os valores característicos de uma determinada cultura, ou seja, é a forma como os sujeitos sociais incorporam e expressam – através da vivência – os elementos da cultura dos grupos do qual fazem parte.

Sendo a cultura, e conseqüentemente a identidade cultural, alterada sob o efeito de iniciativas da sociedade, o turismo revela-se um elemento importante na compreensão dessas alterações.

O turismo, enquanto atividade que atende a lógica do mercado e do consumo capitalista, revela-se na atualidade um grande transformador da valorização dos espaços, uma vez que estes são transformados em mercadorias consumidas pelo turista. Há também modificações nas relações que se desenvolvem com este espaço e sobre este espaço, uma vez que há a valorização e recriação de hábitos regionais.

Portanto a invenção do objeto de estudo do turismo se dá através da combinação entre o natural e o cultural, sendo que a cultura atribui significados àquele primeiro. Assim, a cultura como produto das relações entre os homens e o seu lugar, que dá sentido a este lugar, subsidia a invenção do objeto turístico.

Referências

GRINOVER, Lucio. A hospitalidade, a cidade e o turismo. São Paulo: Alpeh, 2007.

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