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Archive for the ‘Urbanismo’ Category

Por: Rafael Almeida de Oliveira – Dê crédito aos autores!

O Turismo e a Criação de Não-Lugares: Um Estudo de Caso sobre a Cidade de Dubai

By ELMOBAYAD

RESUMO

Esse trabalho analisou como a criação de não-lugares pode ser justificada pela proposta de desenvolvimento baseada no consumo turístico. O questionamento sobre o assunto abordado surgiu inicialmente em uma discussão acadêmica sobre a criação de não-lugares como uma tendência incentivada pela política de turismo, vinculada ao discurso político de desenvolvimento. Para tanto, foi feito um estudo de caso sobre a cidade de Dubai – localizada no deserto dos Emirados Árabes Unidos – e sua proposta de desenvolvimento turístico. O objetivo do estudo de caso é identificar as implicações da criação de não-lugares na cidade. Para isso, foram feitas pesquisas bibliográficas sobre o tema em questão e pesquisa documental nos meios de comunicação referentes ao lugar pesquisado. O objetivo do trabalho foi demonstrar através do estudo de caso que a criação de não-lugares é impulsionada por uma proposta de desenvolvimento apoiada na idéia de globalização, gerando contradições e diferentes realidades nos setores distintos da sociedade. Após o estudo de caso, concluiu-se que muitas vezes, a tendência de apostar no desenvolvimento do turismo apenas na criação de não-lugares pode resultar, a longo prazo, em um crescimento econômico para a economia e não um desenvolvimento, pagando um alto custo social e ambiental e redefinindo a identidade do lugar.

Palavras-chave: Não-lugar, lugar, desenvolvimento global, desenvolvimento local, crescimento econômico, empreendimento turístico, identidade, mídia, globalização, consumo, Dubai.

Para ler o documento na integra, clique aqui.

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Por: Ana Carolina Pontes, Anna Cristina Machado, Gustavo Pereira Pinto e José Geraldo de Moura Jr – Dê crédito aos autores!

Proposta de Plano Interpretativo Mariana – MG

Tema – Turismo Histórico Cultural: As Raízes das Tradições Mineiras

Proposta de Plano Interpretativo Mariana - MG

Proposta de Plano Interpretativo Mariana – MG

Objetivos

  • Apresentar a cidade sob uma nova perspectiva, despertando um novo olhar.
  • Abordar a vida privada no período colonial.
  • Reconstituir partes dos aspectos do cotidiano da vida colonial e sua interface com a formação do povo mineiro.

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Sinalização Turística de Belo Horizonte

Sinalização de Orientação Turistica de Belo Horizonte

Palavras Chave: Sinalização Turística, Belo Horizonte, Turismo Urbano.

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Por: Bianca Cadilhe, Clarice Federman, Felipe Caputo e Lívia Pacheco – Dê crédito aos autores!

1.INTRODUÇÃO

“Uma paisagem só se estabelece como tal a partir do momento em que é observada por alguém”. O uso constante dessa frase durante a disciplina da qual advém a pesquisa, se deve à importância da mesma para o entendimento da relação entre a paisagem e a atividade turística. Uma pessoa é atraída para determinado destino turístico devido à sensação que o mesmo proporciona aos que o visitam. Fotos, palavras e pinturas, são apenas algumas das formas de evidenciar as paisagens causadoras de tais sensações e, dessa maneira, motivar o potencial turista a conhecê-la. Além disso, paisagem é resultado da interação entre o meio natural e a ação do homem sobre ele, é, portanto, o vetor de atração de uma localidade, já que conjuga a busca pelo contato com a natureza com a vivência de outras culturas (os principais motivadores de viagens a lazer).

O estudo subjetivo da paisagem torna-se, portanto essencial para se descobrir sob qual viés os destinos turísticos devem ser explorados e quais as melhores maneiras de se proporcionar ao turista a experiência esperada e condizente com o contexto local.

Instituto Hilton Rocha

O objetivo do trabalho em questão consiste em realizar a análise territorial da Avenida José do Patrocínio Pontes, ou Anel da Serra, de Belo Horizonte e apontar, de acordo com a perspectiva dos pesquisadores, as características que permeiam a essência do trecho e viabilizam que o mesmo seja percebido de tal maneira.

Por meio desse estudo em escala reduzida pretende-se entender os métodos de pesquisa para que possamos posteriormente aplica-los no planejamento de locais públicos turísticos, atendendo as expectativas tanto dos moradores locais, quanto dos turistas. É interessante observar, portanto, que cada pessoa possui uma interpretação diferente de elementos coletivos de acordo com suas bagagens culturais, o que cria relações específicas individuais com a paisagem. Mas ainda sim é possível a estruturação de uma ordenação do espaço que possibilite a melhor utilização do mesmo por todos. E é nesse viés que se encontra o norteador do trabalho.

2. METODOLOGIA

Para a realização do trabalho foram realizadas pesquisas de gabinete e in loco. As pesquisas de gabinete se resumem em informações obtidas na internet e no conteúdo da disciplina de Paisagem e Turismo. Foram realizadas quatro visitas de campo na Av. Jose do Patrocínio Pontes ou Anel da Serra, essas se deram nos dias 20/04 (sexta-feira) , 01/06 (sexta-feira), 03/06 (domingo) e 27/06 (quarta-feira). As visitas realizadas em dias e horários diferentes foram essenciais para viabilizar as análises das diferentes percepções das pessoas que freqüentam a avenida em cada um dos dias.

As análises da paisagem no trecho selecionado foram norteadas por cinco formulários pré-estruturados além de um roteiro de perguntas (os quais se encontram anexados no trabalho) que foram aplicadas nos moradores, trabalhadores e visitantes da rua, o que mais uma vez, viabilizou a análise comparativa de dados fornecidos por diferentes perfis.

A pesquisa virtual objetivou conseguir informações sobre decretos e leis que vigoram na rua. Por meio da compilação das mesmas juntamente com o material estudado em sala de aula e as análises das percepções da Avenida foi possível a elaboração de um trabalho descritivo permeado por uma perspectiva subjetiva que possui forte aplicação prática. As considerações finais apresentam os resultados da investigação e a análise sobre a essência local.

3. HISTÓRICO

Devido à dificuldade de se encontrar informações sobre o histórico da Avenida José do Patrocínio Pontes, as informações aqui contidas são baseadas na fala de alguns moradores da mesma, assim como em algumas reportagens a ela relacionadas.

A avenida em questão teve o início de sua ocupação, que foi bastante gradual, a partir da construção do Instituto Hilton Rocha, um hospital localizado ao pé da Serra do Curral. Tal estabelecimento recebeu autorização para ser construído quando Rondon Pacheco era governador do estado de Minas gerais. A concessão teve caráter excepcional e foi impulsionada pela importância do cientista Hilton Rocha, fundador do Instituto e primeiro morador da avenida.


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Por: Danilo Raslan, Felipe Caputo, Filipe Elias e Gabriel Túlio – Dê crédito aos autores!

1. INTRODUÇÃO

O presente trabalho consiste em um estudo sobre a Avenida Afonso Pena, no quarteirão das ruas Álvares Cabral e Guajajaras. Esta área é de grande importância histórica e cultural para Belo Horizonte, uma vez que possui edificações tombadas pelo IPHAN e o Parque Municipal da Cidade, um importante espaço verde dentro do sítio urbano.

É feita uma contextualização da área analisada, através de um breve histórico da cidade de Belo Horizonte, da Avenida Afonso Pena e dos principais edifícios que compõem a área, como o Palácio das Artes, o Conservatório de Música e o Automóvel Clube, além do Parque Municipal, que se apresenta como um espaço para desenvolvimento de atividades de lazer para a população de Belo Horizonte.

A área é bastante movimentada, tanto por pedestres, quanto por veículos, o que traduz a relevância de se estudar esta região, tendo como base a relação dos transeuntes e as edificações. Além disso, possui prédios de interesse turístico, conformando uma área complexa com usos diferenciados e um pertencimento de lugar bastante variado.

Afonso Pena

Dessa forma, o trabalho objetiva a análise da percepção territorial, levando-se em consideração as dimensões analíticas da arquitetura, como: levantamento dos recursos locais, que constitui uma investigação dos recursos locais para o desenvolvimento do turismo a partir de uma breve sistematização dos recursos naturais, históricos e culturais, dos tipos especiais de atrativos, do clima, da qualidade ambiental da região, da infra-estrutura urbana, serviços urbanos e dos serviços e equipamentos em áreas turísticas; morfologia do território, que se fundamenta na análise das formas que o território se estrutura, tendo como base o crescimento das edificações, o traçado e parcelamento do território, os tipos dos elementos que constituem o espaço e suas articulações; a percepção do meio ambiente, que consiste na análise do espaço existencial e seu nível de percepção, a fim de definir o genius loci que o lugar possui; análise visual, que é uma avaliação do lugar e seu conteúdo, com intuito de perceber qual o grau de pertencimento do usuário com o lugar; as qualidades territoriais, que analisa a imageabilidade do lugar, levando-se em consideração cinco elementos – caminhos, limites, setores, nós e marcos -, a legibilidade que avalia a facilidade com que o usuário faz a leitura do lugar e a identidade que consiste em diferenciar e identificar um espaço do outro, através da percepção do usuário; por fim, o comportamento ambiental, que é uma observação da paisagem local, avaliando os aspectos físicos do território e suas relações com os transeuntes.


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Por: Lucas BahienseDê crédito aos autores!

1 – A cidade hospitaleira

De acordo com Lúcio Grinover, a melhor forma de analisar se uma cidade é hospitaleira é analisando três dimensões fundamentais da cidade: acessibilidade, legibilidade e identidade.

1.1 – Acessibilidade

Uma política urbana correta deve se preocupar com o acesso à cidade por parte de qualquer indivíduo. Segundo Grinover, 2007 “A acessibilidade evoca diversos conceitos ligados às possibilidades de acesso dos indivíduos, ou de grupos sociais, a certas atividades ou a certos serviços que estão presentes na cidade, devendo proporcionar igualdade de oportunidade aos usuários urbanos. O acesso à cidade é direito de todos. Pode ser considerada como a disponibilidade de instalações ou meios físicos que permitem esse acesso, ou, ainda de acessibilidade sócio-econômica”.

Se formos analisar a acessibilidade física das cidades brasileiras em relação a como chegar a ela, por um lado perceberemos que são acessíveis. Afinal, é possível chegar à maioria das cidades brasileiras pelas rodovias, algumas por ferrovias e também pelos transportes aéreos.

No entanto, se analisarmos internamente uma cidade, tanto para a população residente quanto para turistas, notaremos a abordagem será diferente. Apesar da grande quantidade de pontes, avenidas e algumas evoluções em transportes urbanos, que interligam vários pontos a cidade e objetivam melhorar a qualidade do trânsito, perceberemos que as ruas e calçadas apresentam enormes dificuldades a idosos, crianças e deficientes físicos. Além disso, os transportes urbanos parecem ter sido elaborados somente para que pessoas jovens e sadias consigam utilizar.

Outra forma de termos acesso à cidade na atualidade, é através de meios de comunicação – televisão, revistas, jornais e internet. São muito utilizados pelo turista quando pretende visitar pela primeira vez uma cidade. É possível ter acesso a muitas informações sobre uma cidade por sites da Internet.

Quanto à acessibilidade sócio-econômica, também há um enorme problema. Muitas vezes, existem os serviços em determinadas cidades, mas infelizmente, devido ao baixo poder aquisitivo de grande parte da população brasileira, esses serviços são desfrutados por uma pequena parcela da população, ou até mesmo por turistas, que muitas vezes acabam tendo acesso a bens e serviços que o próprio morador não tem.

1.2 – Legibilidade

Por legibilidade, entende-se a qualidade visual de uma cidade, de um território, examinada por meio de estudos da imagem mental que dela fazem, antes de qualquer outro, os seus habitantes. (…) Com legibilidade pretende-se indicar a facilidade com que partes de uma cidade podem ser reconhecidas e organizadas num modelo coerente. (Grinover, 2007)

A imagem mental concentra-se na legibilidade (clareza) da paisagem das cidades. É um termo que possui a finalidade de indicar a facilidade com que as partes da cidade como obra arquitetônica podem ser reconhecidas e organizadas em um modelo coerente. Para Lynch, uma cidade poderia ser considerada coerente quando seus bairros, marcos e vias pudessem ser facilmente abstraídos em um modelo mental. Lynch acredita que um cenário urbano intenso e integrado é capaz de produzir uma imagem definida podendo, desse modo, desempenhar também um papel social oferecendo-se como um material objetivo na construção de símbolos e representações coletivas da comunicação do grupo. “No processo de orientação, o elo estratégico é a imagem ambiental, o quadro mental generalizado do mundo físico exterior de que cada indivíduo é portador. Essa imagem é produto tanto da sensação imediata quanto da lembrança de experiências passadas, e seu uso se presta a interpretar as informações e orientar ações”. (Kevin Lynch)

A cidade possui um sólido e poderoso significado expressivo, ou seja, ela é em si um forte símbolo social. Portanto, é possível perceber imagens públicas no meio urbano. As imagens públicas são imagens mentais comuns a vastos contingentes de habitantes de uma cidade. Elas são a interação de uma única realidade objetiva, de uma cultura e natureza fisiológica comum aos habitantes de determinada localidade.

1.3 – Identidade

A cidade é um sistema de signos, um vocabulário dominado pelo cidadão. Os lugares vivos constituem referências para a memória e as culturas locais. É essencial o cultivo da memória urbana. O historiador, o poeta, o músico fazem do todo e dos fragmentos da cidade o foco da organização de lembranças e da libertação de emoções. A emoção impregna o meio ambiente popular urbano. A cidade é um composto de pedras e tijolos acumulados, e de costumes e afetos praticados pela população urbana. (CANEVACCI)

A identidade de uma região, de uma cidade, é, ao mesmo tempo o passado vivido por seus atores e um futuro desejado por eles. (Grinover, 2007)

A identidade cultural pode ser analisada a partir dos conceitos social e cultural. O conceito de social diz respeito à totalidade das relações – de produção, de exploração, de dominação – que os grupos mantém entre si dentro de um mesmo conjunto – etnia, lugar, região, nação – e para com outros conjuntos. Portanto, a cultura, nada mais é do que o próprio social, mas considerado, sob o ângulo dos diferentes comportamentos individuais dos membros deste grupo, bem como suas produções originais.

Portanto, a identidade cultural é um processo de reconhecimento que o sujeito social realiza ao viver numa cultura e assume como algo próprio, os valores característicos de uma determinada cultura, ou seja, é a forma como os sujeitos sociais incorporam e expressam – através da vivência – os elementos da cultura dos grupos do qual fazem parte.

Sendo a cultura, e conseqüentemente a identidade cultural, alterada sob o efeito de iniciativas da sociedade, o turismo revela-se um elemento importante na compreensão dessas alterações.

O turismo, enquanto atividade que atende a lógica do mercado e do consumo capitalista, revela-se na atualidade um grande transformador da valorização dos espaços, uma vez que estes são transformados em mercadorias consumidas pelo turista. Há também modificações nas relações que se desenvolvem com este espaço e sobre este espaço, uma vez que há a valorização e recriação de hábitos regionais.

Portanto a invenção do objeto de estudo do turismo se dá através da combinação entre o natural e o cultural, sendo que a cultura atribui significados àquele primeiro. Assim, a cultura como produto das relações entre os homens e o seu lugar, que dá sentido a este lugar, subsidia a invenção do objeto turístico.

Referências

GRINOVER, Lucio. A hospitalidade, a cidade e o turismo. São Paulo: Alpeh, 2007.

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Por: André Franchini Campos de Pinho, Chogüi Pissolato Silvera e Gustavo Pereira Pinto – Dê crédito aos autores!

1 A Rua da Bahia

1.1 Histórico

Todos os caminho iam à Rua da Bahia. Da Rua da Bahia partiam vias para os fundos do fim do mundo, para os tramontes dos acabaminas… A simples reta urbana… Mas seria uma reta? Ou antes, a curva? Era a reta, a reta sem tempo, a reta continente dos segredos dos infinitos paralelos. E era a curva. A imarcescível curva, épura dos passos projetados, imanência das ciclóides, circulo infinito… Nós sabíamos, o Carlos tinha dito. A Rua da Bahia era rua sem princípio nem fim. Descíamos. cada um de nós era um dos moços do poema. Subíamos. ‘Um moço subia a Rua da Bahia (Pedro Nava)

Na primeira cidade planejada do Brasil, a Rua Bahia foi traçada como eixo de ligação entre a parte administrativa, erguida na Praça da liberdade, e o centro comercial que surgiu ao redor da Praça da Estação e da Avenida Afonso Pena. No entanto a rua extrapolou o limite de mero “corredor” a um ativo centro cultural, com a presença de artistas, intelectuais e jornalistas nas suas livrarias e bares.

Acervo Museu Histórico Abilio Barreto

Fonte: Acervo Museu Histórico Abílio Barreto

[…] agora estamos a três quarteirões do Bar do Ponto, que é o centro. Eu me referia ao centro da cidade, mas logo veria que aquilo era o centro de Minas, do Brasil, do mundo. Mundo vasto mundo. (Pedro Nava)

A Rua da Bahia, principalmente o trecho entre as avenidas Afonso Pena e Álvares Cabral, representava o coração da cidade, como disse Pedro Nava, o centro, não só de Belo Horizonte, mas do mundo, uma vez que diversos intelectuais, belo-horizontinos e até estrangeiros se reuniam nos diversos atrativos da rua. Tudo acontecia e se fazia em torno da Rua da Bahia.

O Café Estrela (localizado onde até recentemente funcionava o Bahia Shopping) tornou-se famoso porque foi ponto de encontro dos intelectuais mineiros que, na década de 20, integraram o movimento modernista literário, tais como Carlos Drummond de Andrade, Emilio Moura, Abgar Renault, Milton Campos, Pedro Nava, a “nata” da inteligência belo-horizontina. Principalmente após a instalação da primeira universidade da cidade, diversas pessoas vinham de outras cidades e estados para estudar em Belo Horizonte, aumentando ainda mais o número de personagens influentes.

Seria Carlos Drummond ou Aníbal machado que disse: – Cidade casmurra e provinciana onde nada acontece. Dorme a tradicional família mineira. Vocês querem ver? Vou ficar pelado agora e subir esta avenida, e nada vai acontecer. E assim foi. Nada aconteceu. (Milton Campos)

Além dos cafés, outro ponto de encontro importante na rua eram as livrarias, Itatiaia e Francisco Alves. Pedro Nava depõe sobre a Livraria Francisco Alves:

O Abgar, o Milton, o Carlos, o equilibrado Capanema e o abastado Gabriel estavam sempre em fundos e, como tal, eram os primeiros admitidos à abertura dos caixotes – cerimonial que só participavam os iniciados e que se realizava no corredor vizinho à jaula do livreiro Castilho.

Na esquina com a Avenida Augusto de Lima, existia o hotel mais importante da cidade, o Grande Hotel. Era comum da sacada do segundo andar, políticos discursarem para a população belo-horizontina. Além de políticos, personagens importantes já se hospedaram no hotel, como Santos Dumont, Olavo Bilac, Rui Barbosa, Osvaldo Cruz, Getúlio Vargas, entre outros. Em 1957, o hotel foi demolido para a construção do edifício Aracângelo Maletta, inaugurado em 1961.

No Térreo, do então novo prédio, existiam diversos bares, entre eles os ainda existentes, O Pelicano, Lua Nova e Cantina do Lucas, sendo que os dois últimos foram movimentados pontos de encontro de intelectuais e jornalistas. “Dizem que o freguês tomava o aperitivo vespertino no Lua Nova e ia rebater, noite adentro, na cantina do Lucas” (Salles, 2005).

Outra característica da Rua da Bahia eram os bondes.

Minha vida é esta. Subir Bahia, descer floresta. (Pedro Nava).

Essa citação se refere ao caminho feito pelo bonde, subindo a Rua da Bahia e descendo até o bairro Floresta. Os bondes elétricos subiam e desciam nas linhas que levavam à Serra, Abrigo Pernambuco (atual Savassi) e, posteriormente Carmo e Sion. A princípio o ponto inicial ficava na Afonso Pena com Bahia (daí o nome Bar do Ponto), mas depois foi descentralizado, inclusive com a construção de dois abrigos ainda na Afonso Pena, próximos da Praça Sete.

Houve casos em que o bonde saiu dos trilhos e colidiu com casas e estabelecimentos, como aconteceu certa vez, na curva da esquina de Bahia com Gonçalves Dias.

Nos bondes viajava toda a população belo-horizontina, homens brancos, negros e mulatos, magistrados e operários, moços e velhos, ricos e pobres. O bonde, de certa forma também era um centro de convívio social e cultural importante na Rua da Bahia. Com o crescimento da cidade, os bondes foram sendo substituídos pelos trólebus, ônibus e lotações, até desaparecerem por completo.

A baleira da Rua da Bahia
É bela como as balas são divinas.
Ou divina é a baleira, e suas balas
Imitam o caramelo de seus olhos?

Carlos Drummond – Menção à Confeitaria Suíça.

A Rua da Bahia também tinha importância no carnaval de rua belo-horizontino. Nas décadas de 30 e 40, além do movimento na Afonso Pena, a folia se concentrava no quarteirão da Rua da Bahia, entre a avenida e a Rua dos Goitacazes, e em torno do Trianon e da Elite (movimentados bares da época). Mais tarde com o fechamento do Trianon e da Elite coincidiria com a decadência do carnaval de rua; ainda assim, o Gruta Metrópole (outro movimentado bar da rua) acolheu os últimos remanescentes da boemia carnavalesca.

Na primeira metade da década de 50, após o fechamento dos bares do Ponto e do Trianon, começara a funcionar a Gruta Metrópole, que foi sem dúvida, o ultimo reduto da vida boêmia daquela rua. Lá, reuniam-se “intelectuais, jornalistas, políticos, artistas, comunistas, professores, empresários, funcionários públicos, esportistas, barbeiros, tudo que se pode imaginar. Todos discutiam tudo: política, esportes, negócios, artes, filosofia, literatura, segredos de família. A maledicência e os mexericos completavam o cardápio variado” (Salles, 2005).

Conversa de botequim não instrui, mas informa. (Antônio Pinto Coelho)

A Gruta era muito mais do que um bar, representava a vida da capital mineira. Era considerado por muitos como sua casa, sua família, a solução para seus problemas, muito mais que um simples ponto de encontro. Assim como o valor que as livrarias Itatiaia e Francisco Alves representavam para a cultura, a Gruta Metrópole ocupou na Rua da Bahia, assim como o Estrela, 50 anos antes, representava como referência para a vida belo-horizontina.

Após a morte de seu dono, Jéferson Pinto, sua esposa assumiu a direção, mas este nunca mais foi o mesmo. “Embora os esforços para mantê-la, entrou em decadência, ao cair nas mãos inexperientes da mulher do Jéferson. Como não possuía qualquer vivência comercial, ela ficou sem orientação e apoio. Por incrível que pareça, como era evangélica, pretendeu não vender bebida alcoólica no botequim” (Salles, 2005).

Fechado o Cinema Odeon, na Rua da Bahia.
Fechado para sempre.
Não é possível, minha mocidade
Fecha com ele um pouco.
Não amadureci ainda bastante
Para aceitar a morte das coisas
Que minhas coisas são, sendo de outrem,
E até aplaudi-la, quando for o caso,
(amadurecerei um dia?)
Não aceito, por enquanto, o Cinema Glória,
Maior, mais americano, mais isso-e-aquilo.
Quero é o derrotado Cinema Odeon,
O miúdo, fora-de-moda Cinema Odeon.
A espera na sala de espera. A matinê
Com Buck Jones, tombos, tiros, tramas.
A primeira sessão e a segunda sessão da noite.
A divina orquestra, mesmo não divina,
Costumeira. O jornal da Fox. William S. Hart.
As meninas-de-família na platéia.
A impossível (sonhada) bolinação,
Pobre sátiro em potencial.
Exijo em nome da lei ou fora da lei
Que se reabram as portas e volte o passado
Musical, waldemarpissilândico, sublime agora
Que para sempre submerge em funeral de sombras
Neste primeiro lutulento de janeiro
De 1928.

Carlos Drummond de Andrade

Juntamente com o crescimento da cidade, ocorria o “encolhimento” da Rua da Bahia. Prédios e casarões antigos (muitos com enorme valor histórico e cultural) davam lugares ao Modernismo belo-horizontino. A cidade jardim, cidade nova, que valoriza o que é novo, moderno e abandona seu passado. Cinemas, casarões e redutos culturais perderam lugar na paisagem, sendo demolidos ou despercebidos. Os jardins da cidade sumiam e levavam consigo o nome mais romântico que a cidade já teve, passando a ser a capital moderna, sem a vida que tinha anteriormente. Agora ninguém se conhece mais, ainda se sobe e desce a Rua da Bahia, porém sob ritmo frenético de uma das maiores cidades brasileiras. O Café Estrela deu lugar ao símbolo do modernismo consumista, os democráticos bondes deram lugar a ônibus, onde o que fazem é empurrarem-se uns aos outros sem nenhuma conversa, e carros que buzinam por todo o percurso. A Rua da Bahia, hoje sim, é apenas um “corredor” que liga o centro administrativo (o qual já tem planos de se mudar) ao centro econômico da cidade.

Uai, gente, o que esta cidade veio fazer aqui nesta rua? (Augusto Degois)

1.2 Momento Atual

Hoje a Rua da Bahia perdeu seu valor cultural tradicional e desponta como um importante corredor de tráfego de veículos da cidade. Se antes era um ponto de parada para a comunidade, hoje é apenas um local de passagem, onde não mais se produz pensamento ou idéias.

Para o jornalista Luiz Otávio Horta, autor do livro “Histórias da Rua da Bahia e Cantina do Lucas”, e que viveu ativamente o passado da região, “a Rua da Bahia é como um retrato dependurado na parede, é simplesmente mais uma via condutora de tráfego. Até a década de 70, foi um ponto de fundamental importância para a história cultural e política de Belo Horizonte”.

E é nessa época que a cidade, norteada pela expansão imobiliária e ideais de crescimento, acabou por derrubar inúmeras construções históricas para dar lugar a edifícios capazes de abrigar mais pessoas. Ainda assim, hoje é possível encontrar na rua e seu entorno algumas marcas do passado.


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