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Archive for the ‘Gastronomia’ Category

Por: Ana Carolina Teixeira Pontes, Ludmila Figueiredo Pitangui Mendonça, Vitor Kendi Iida Kosaka e Wallace Fernandes de Faria – Dê crédito aos autores!

RESUMO

Este artigo aborda as práticas alimentares no distrito de São João da Chapada – MG, relacionando-as com os aspectos culturais desse povoado. Abordam-se também, como as iniciativas de Turismo Solidário, em processo de implantação na região, podem contribuir para a valorização dessa cultura.

Palvras-Chave: práticas alimentares – cultura garimpeira – Turismo Solidário

ABSTRACT

This article refers to the practices of feeding on the county of São João da Chapada – MG, relating them to the culture aspects of this people. Refers, also, to how the initiatives of Solidarity Tourism – in process of implantation on the region – may contribute to the valorization of their culture.

Key words: practices of feeding – culture of garimpo – Solidarity Tourism

INTRODUÇÃO

Alimentar-se para o ser humano é um ato carregado de elementos culturais e ideológicos. Os valores atribuídos aos alimentos passam da necessidade vital de sobrevivência, assumindo representações culturais e criando formas de sociabilidade. O artigo busca demonstrar como as práticas alimentares revelam aspectos da cultura sanjoanense e como o turismo, ao propiciar o encontro com o outro, pode contribuir para a valorização dessa cultura por parte dos moradores.

Este trabalho é parte das atividades acadêmicas desenvolvidas no Instituto de Geociências da Universidade Federal de Minas Gerais (IGC/UFMG), como o produto final da disciplina Turismo Cultural do curso de graduação em Turismo, ministrada pela professora Mariana de Oliveira Lacerda. Foi fruto tanto de uma pesquisa de gabinete, quanto de uma visita de campo na localidade estudada, entre os dias 29 e 31 de outubro, do ano de 2006.


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Por: André Pinho, Berenice Corrêa, Breno Pádua, Camila Medeiros, Daniela Silva e Júlia Ribeiro – Dê crédito aos autores!

A Gastronomia e sua Relação com o Turismo

Durante muitos anos, costumou-se caracterizar um determinado local pelo seu legado monumental arquitetônico ou artístico, e somente as edificações e o que era realmente “visível” eram considerados patrimônio cultural e, por conseguinte, atrativos para os visitantes.

Todavia, os demais aspectos intangíveis, como festas tradicionais, danças típicas, música, e própria gastronomia, também importantes na caracterização do comportamento de uma comunidade, não tinham o mesmo peso no âmbito da atividade turística, embora fossem consumidos involuntária ou voluntariamente pelos turistas.

No ano de 1997, surge, através da UNESCO, o conceito de patrimônio intangível, que englobaria os fatores citados anteriormente. Sendo assim, de acordo com a Constituição Federal de 1988:

(…) constituem patrimônio cultural brasileiro os bens de natureza material e imaterial, tomados individualmente ou em conjunto, portadores de referência à identidade, à ação, à memória dos diferentes grupos formadores da sociedade brasileira nos quais se incluem: as formas de expressão, os modos de fazer, criar e viver, as criações científicas, artísticas e tecnológicas, as obras os objetos, documentos, edificações e demais espaços destinados às manifestações artístico-cultural, os conjuntos urbanos e sítios de valor histórico, paisagístico, artístico, arqueológico, paleontológico, ecológico e científico.

Essa mudança no conceito de patrimônio cultural foi importante, diante do processo de homogeneização cultural que o mundo vem sofrendo atualmente, em que os valores dos países mais desenvolvidos são impostos sobre os demais países. Desse modo, o resgate e manutenção dos valores de uma sociedade através do tombamento de seu patrimônio cultural intangível torna-se de extrema importância no sentido de resgatar uma cultura que tende a se perder com a globalização.

Apesar de existir o segmento Turismo Gastronômico, em que a principal motivação da viagem é degustar a culinária local, a gastronomia vai além, e afeta todos os demais segmentos do Turismo. Isso acontece devido ao fato de a alimentação ser uma necessidade básica do ser humano, e o turista, como ser humano, tem que se alimentar no seu local de visita.

Em alguns casos, a alimentação como necessidade, ganha caráter fundamental, sendo um grande chamariz. Isso ocorre, por exemplo, em cruzeiros marítimos, onde estão incluídas diversas refeições diárias e são oferecidos fartos banquetes.

Contudo, a gastronomia, como um desses valores, apresenta também uma propriedade cultural para a atividade turística como um todo. A culinária de um determinado lugar é capaz de caracterizar sua cultura, tanto pelo modo de preparo, quanto pelos ingredientes utilizados, ou até mesmo pelo seu significado para a população.

Dessa forma, a gastronomia aparece como atributo fundamental para o desenvolvimento do Turismo e, principalmente, como determinante dos fluxos de pessoas. Como característica básica, o turista tem o desejo de conhecer aquilo que lhe é peculiar. Assim, quanto maior o diferencial mais atratividade terá uma localidade. Ou seja, para indianos, que tem na base da culinária ingredientes como o curry, o interesse em conhecer países como França ou Brasil, faz com que o fluxo turístico entre os países se desenvolva.

Nesse caso, cabe ressaltar o valor que a gastronomia ocasiona no setor de Turismo internacional, uma vez que as distinções entre a culinária dos países são maiores do que as existentes internamente em países como o Japão. No caso do Brasil, de grande extensão territorial e riqueza cultural, as peculiaridades apresentam maior caráter regional.

Portanto, no Turismo de cunho cultural se faz fundamental o cuidado para que sejam identificados diferenciais gastronômicos de uma região, suficientemente interessantes e característicos. Não obstante, tais elementos devem ser propostos de forma que tenham identidade histórica e cultural. Além disso, essa gastronomia deve ser trabalhada para que desperte a curiosidade dos potenciais turistas, valorizando o diferente.

A culinária, por conseguinte, pode ser classificada, de acordo com a autora G. Fagliari (2005), quanto a aspectos territoriais.

  • Culinária Tradicional Local – quando representativa de uma localidade, como um município ou distrito.
  • Culinária Tradicional Regional – quando representativa de regiões do país.
  • Culinária Tradicional Internacional – quando representativa de povos ou países.
  • Culinária Globalizada – culinária internacional aceita e produzida da mesma forma em todo o mundo.

Uso e Costumes: a Tradição na Comida Mineira

Há uma comida típica mineira, dentro da variedade da comida brasileira?

A resposta do autor desta obra é sim e não. Sim, porque é permitido reconhecer uma constante nas preferências alimentares da população de Minas. E não, porque tais preferências não são exclusivas dessa mesma população. Como se define a constante? Pelo trivial culinário habitual, baseado, antes de nada, na tríade feijão, angu e couve.

Acha-se o típico, irrecusavelmente, na predileção dos seus habitantes (tomados grosso modo) por certos alimentos e na maneira de os combinar e preparar.

(…) a sua frequência nas nossas mesas e o seu preparo peculiar lhes confere carta de mineiridade.

(Eduardo Frieiro, 1966)

A gênese da gastronomia mineira não está ligada nem à arte de comer bem dos grandes gourmets, nem à ciência da alimentação dos pesquisadores nutricionistas. Liga-se, antes, ao instinto de sobrevivência e à sede de nutrição, básico para a vida animal.

Os primeiros momentos da historiografia mineira foram marcados por tumultos, crimes e convulsões, entre estas, crises generalizadas de fome e de carestia de alimentos. Formados rapidamente pelo afluxo repentino de grandes levas humanas, os aglomerados mineradores não possuíam roças de alimentos para atender à subsistência da gente que chegava. Movidos pela alucinação da riqueza e preocupados apenas com o enriquecimento rápido e a intenção de retornarem ricos ao Reino, os mineradores não se ocupavam com os trabalhos de produção de meios de subsistência. Toda a atenção era voltada para a busca dos minerais. Nos anos de 1697-98 e de 1700-1, ocorreram crises de fome de proporções catastróficas: mineiros morrendo à míngua com uma espiga de milho na mão, sem ter outro sustento. Os que menos sofriam eram os índios, que bem conheciam a terra onde viviam. Os que mais sofriam eram os negros, com a escassez da comida. Em decorrência da situação local, os primeiros vestígios da culinária mineira começaram a se formar nas mãos indígenas e africanas. Pode-se dizer que houve um perfeito entrosamento entre índios e negros, que trocaram conhecimentos, hábitos e modos na atividade de preparar os alimentos.

Muito lentamente, a influência portuguesa começou a marcar presença em nossa cozinha e hábitos do cotidiano. Ela somente veio de forma definitiva mais tarde, com a chegada dos senhores com muitos escravos, que, acompanhados de suas famílias, impuseram novos modos na culinária mineira. Motivados pela carência dos gêneros e pelos elevados preços dos alimentos, esses senhores foram os primeiros a plantar roças e lavouras em torno das lavras. Plantaram legumes, mandioca, milho e batatas doces, já habituais na alimentação de bandeirantes e índios desde os primeiros tempos. Ao lado da lavoura, desenvolveram a criação de aves e porcos.

A necessidade local e a sabedoria nata das negras a quem eram dadas as tarefas de cozinhar produziram receitas criativas e variadas e modos de fazer que demandavam grande astúcia e muita economia. Para as senzalas eram levados brotos nativos, aparas de carne, feijão preto e derivados de milho e mandioca, alimentos em parte rejeitados e, em parte, desconhecidos por colonizadores menos afeitos a experimentar raízes, brotos, folhas e frutos, aos quais não estavam acostumados.

No período de sua formação, Minas Gerais era uma capitania onde predominava a vida urbana (em contraposição ao restante da colônia) e seus habitantes estavam submetidos a um isolamento decorrente tanto dos limites geográficos, quanto das restrições de toda espécie que lhes eram impostas pela Coroa Portuguesa para salvaguardar as riquezas minerais. Era objetivo fundamental dificultar tanto o acesso à riqueza descoberta como também o seu escoamento via contrabando. Além disso, Portugal procurava concentrar todas as possibilidades de produção na indústria mineradora. Havia ainda uma política consciente no sentido de manter a Capitania das Minas em estado de dependência econômica para auferir os direitos de entrada.

Foi a partir da fome dos primeiros tempos que se formou em Minas a cozinha típica, com tamanha diversidade de pratos. A abundante cozinha mineira surgiu da fome e evoluiu para o desenvolvimento de uma dieta peculiar, baseada numa produção caseira, de quintal, e numa valorização das coisas da terra.

Resultante de três culturas, a cozinha mineira herdou de nossa origem portuguesa o sentido de sensualidade, fartura e abundância que estão nos nossos hábitos de servir a mesa.

O povoamento constituído de núcleos que, embora densos, eram distantes uns dos outros, a escassez de alimentos na região, as restrições impostas pela Coroa Portuguesa, as graves crises de fome e suas consequências negativas exigiram um sistema de transportes capaz de manter com regularidade o intercâmbio de produtos e mercadorias necessários à normalidade da vida das populações mineradoras. As necessidades de meios de transportes que garantissem movimento regular aumentaram na medida em que aumentaram as distâncias entre os povoados e a costa, com a mineração se expandindo para o oeste mineiro.

As tropas e os tropeiros nasceram das necessidades das regiões mineradoras e sobreviveram até as construções das estradas de ferro no Século XIX e a chegada do caminhoneiro em meados do Século XX. Durante todo esse período, os antigos tropeiros exerceram influências no preparo da comida típica mineira. Para enfrentar os desafios das estradas, os homens de tropa buscaram alternativas para manter a provisão das viagens. Na dieta semples utilizaram formas diversas de conservar os alimentos. A salga, a defumação, a conservação em gorduras foram métodos adotados por eles. A carne de sol nada mais é do que o resultado da salga. A defumação consiste na exposição do alimento para receber a fumaça até ficarem secas e ao ponto de uso. Temperada, cozida e embebida na gordura do toucinho, a carne de porco era conservada por um bom período.

O constante deslocamento das tropas em longas jornadas obrigava o tropeiro a uma dieta simples, de fácil transporte e conservação. Embora farta, resumia-se em carne-seca, feijão, angu, farinha de mandioca, torresmo e café.

Em Minas Gerais, o uso do café se difundiu rapidamente. Ainda hoje na casa mineira, ele é tradicionalmente tomado após as refeições. Servido ao visitante, constitui-se num elo de cordialidade e de convivência social. Em alguns lugares, a recusa pode ser considerado uma desfeita para os donos da casa.

Um grande contingente de imigrantes italianos entrou em Belo Horizonte para trabalhar na sua construção no final dos anos oitocentos. Junto com portugueses e espanhóis, eles difundiram novos hábitos. Além do macarrão, do queijo parmesão e gorgonzola, que de modo algum comprometeram a preferência pelo queijo de Minas, eles intensificaram o hábito do belorizontino de comer as hortaliças das hortas que eles cultivavam nos subúrbios da cidade.

Os Alimentos Tradicionais

A população indígena habitante das Minas Gerais alimentava-se, originariamente, do bicho de taquara, de formiga, tanajura, frutas, caça, pesca, mandioca.

Utilizado também como ração para os animais, o milho era o alimento essencial dos escravos e de variada utilização pelos exploradores das terras mineiras. Os primeiros, bandeirantes, alimentavam-se do mel, das frutas, de brotos nativos, de raízes, de folhas e de frutos.


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