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Por: André Pinho, Daniela Silva e Júlia Freire – Dê crédito aos autores!

Introdução

O Turismo e a estatística são conceitos que têm uma história semelhante. Ainda que sejam atividades amplamente realizadas, desde tempos remotos, quando as grandes navegações e o mercantilismo despontaram, vêm sendo estudadas mais profundamente apenas no último século.

Ao mesmo tempo, com o desenvolvimento do meio acadêmico da ciência do Turismo, surgiu naturalmente a necessidade de utilização da estatística como instrumento para análise do mercado e das sociedades envolvidas na atividade.

Contudo, mesmo que seja bom o número de informações referentes à atividade turística, é incipiente o número de estudos e produções que trabalham a estatística aplicada ao Turismo, de forma simplificada. Também nota-se a falta de estudos que indicam como devem ser aplicados os conhecimentos proporcionados pela estatística no Turismo. Ou seja, como um dado sobre o fluxo de turistas em determinada região, por exemplo, pode ser utilizado no planejamento da mesma.

Nesse sentido, o trabalho tem o objetivo de avaliar as variáveis estatísticas e sua aplicabilidade no estudo do Turismo. Desse modo, procura-se desenvolver o pensamento sobre como a estatística e o Turismo são de fato compatíveis, e quais valores devem ser considerados na análise da atividade.

Estatística para o Turismo

O Turismo – ciência que contempla e modifica a esfera social, econômica e ambiental de uma sociedade, seja positiva ou negativamente -, necessita de um planejamento baseado em informações concretas sobre o local estudado, caso almeje sucesso. Nesse caso, fica evidente a importância de dados estatísticos gerais, que sirvam de base para um estudo aprofundado.

Além disso, o mercado turístico está cada vez mais consciente da necessidade do desenvolvimento de pesquisas estatísticas que possam reunir necessidades dos turistas frente às inúmeras possibilidades de destinos. São fundamentais, portanto, para que se defina um produto consistente, informações como o que deve ser oferecido, para quem, quando e como.

A estatística permite, por exemplo, realizar estimativas sobre crescimento dos fluxos turísticos, comportamento dos turistas, tendências e rumos do mercado, cálculos de receitas e movimentação de divisas, entre outros.

O universo turístico sofre influência de variáveis socioeconômicas, culturais, políticas, e mercadológicas. Nesse contexto, as projeções estatísticas são indicadores que nos orientam sobre o comportamento dos mercados e sua evolução.

Desse modo, a atividade turística é altamente dependente da estatística, sendo fonte inicial de conhecimento para o pensamento turístico.

O órgão público do Brasil que, atualmente, realiza e compila a estatística no campo turístico com sucesso é o Ministério do Turismo. São realizados anuários estatísticos contemplando características que fundamentem a atividade no país. No âmbito internacional, nota-se presença marcante da Organização Mundial de Turismo, como organizadora da estatística mundial.

Limitações das Estatísticas

Uma dificuldade encontrada para mensurar dados sobre a atividade está na dificuldade básica de comparar as estatísticas do Turismo. Isso se dá principalmente no âmbito internacional, na comparação de dados de nações diferentes, sendo inúmeros os problemas.

A OMT define Turismo como “as atividades que realizam as pessoas durante suas viagens e estadas em lugares diferentes ao seu entorno habitual, por um período consecutivo inferior a um ano, como finalidade de lazer, negócios ou outras”. Nesse caso, a demarcação do tempo limite de permanência é questionável, já que estipula de forma concreta um tempo que não é a aplicável a todos os casos. Porém, tal definição tem o valor de facilitar a contabilização de dados estatísticos, fato importante para uma instituição como a OMT.

Entretanto, o que se percebe é que nem todos os países seguem essa definição como base para seus cálculos. Os termos turista e visitante, por exemplo, variam nas fronteiras onde os dados são coligidos. Alguns países têm conceitos diferentes sobre os mesmos, e em alguns casos não contabilizam os visitantes nem se os mesmos são remunerados.

Em outros casos, a coleta dos dados compromete as comparações. Enquanto alguns paises coletam as informações nos postos de fronteira, outros dependem das fornecidas por registros de hotéis.

Em paises onde existem relações diplomáticas peculiares, a chegada de estrangeiros não é sequer computada. Em outros, os turistas de negócios ou estudantes estrangeiros não são considerados nas estatísticas.

Visitantes em passagem, como os de cruzeiros marítimos; turistas que apenas excursionam durante um dia; ou passageiros em transito aéreo recebem tratamentos distintos dependendo do país.

Frechtling (1996) sugere que das 166 nações que informam seus dados sobre Turismo à OMT, “quatro não costumam mensurar os visitantes internacionais ou turistas. Treze países não dispõem de um cálculo recente das receitas do Turismo internacional, e 46 não fazem estimativas dos gastos com viagens internacionais”.

Nota-se que tais problemas ocorrem em menor freqüência, em âmbito nacional. Mesmo assim, em países como os EUA, onde cada estado tem certa liberdade legislativa, são notáveis tais distinções. No Brasil, ainda, pode-se notar de forma reduzida uma discrepância nos dados estatísticos coletados, principalmente devido a metodologias diferentes de coleta utilizadas.

O autor Theobald (2001) afirma que “uma das importantes tarefas da OMT é trabalhar sistematicamente com o objetivo de aperfeiçoar e contribuir para dar maior precisão às definições e classificações de Turismo mundialmente aplicadas, enfatizando a clareza e a simplicidade em sua utilização”.

A simplicidade, principalmente, é uma característica que deve ser buscada, tanto como forma de baratear os custos, quanto como meio de facilitar a coleta das informações estatísticas. Mesmo assim, deve-se sempre atentar para o fato de que as estatísticas são dados imprecisos e, também por isso, não devem ser tratadas como verdades absolutas.

Referências

ANDRADE, José Vicente de. Turismo: fundamentos e dimensões. São Paulo: Ática, 1997.

WANDERLEY, Henrique. A percepção dos hóspedes quanto aos atributos oferecidos pelos hotéis voltados ao turismo de negócios na cidade de São Paulo. São Paulo: 2004.

TIBONI, Conceição Gentil Rebelo. Estatística Básica para o Curso de Turismo. 2ª Edição. São Paulo: Atlas, 2003.- THEOBALD, William F. Turismo Global. São Paulo: Senac, 2001.

FRECHTLING, Douglas C. International Issues Forum: World marketing and economic research priorities for tourism. In: Tourism Partnerships and Strategies: Merging Vision with New Realities, 23rd Annual Conference Proceedings, Travel and Tourism Research Association, pp. 20-27.

Turismo de Negócios ou Negócios de Turismo? – Abril/2004. Disponível em: <http://revistaturismo.cidadeinternet.com.br/artigos/turneg.html&gt;

Idas Brasil – Junho/2006. Disponível em: <http://www.idasbrasil.com.br/idasbrasil/cidades/BeloHorizonte/port/negocios.asp&gt;

Imagem: Adaptado de cliparts

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