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Por: Andrezza Goulart, Charles de Oliveira, Danielle Vasconcelos, Felipe Caputo e Leonardo Coutinho – Dê crédito aos autores!

OBJETIVO DO TRABALHO

Objetiva-se com este trabalho propor ações mercadológicas para o turismo em Lavras Novas/MG por meio do diagnóstico e análise da atual situação do turismo no local.

METODOLOGIA

A metodologia deste estudo consiste, a princípio, na pesquisa de gabinete para a coleta de informações sobre a atratividade (natural e cultural), disponibilidade de equipamentos e serviços turísticos, bem como as ações políticas e econômicas direcionadas ao desenvolvimento turístico de Lavras Novas.

Concomitantemente, foi feito um levantamento dos atuais direcionamentos mercadológicos do turismo no local, visando perceber como se dá o marketing como um todo do distrito.

O segundo passo da metodologia incide na pesquisa in loco com o intuito de averiguar as informações adquiridas na pesquisa de gabinete. Além disso, a visita a campo permite um olhar múltiplo e mais claro sobre a realidade do distrito. Para o aumento da percepção dos pesquisadores, entrevistas semi-estruturadas foram aplicadas junto aos atores da atividade turística: órgão público, empresários do trade turístico, comunidade e turistas, tendo cada uma sua abordagem específica.

Trabalhando com os dados da pesquisa de gabinete e in loco, foi feito um diagnóstico e posteriormente uma análise SWOT, a fim de facilitar a percepção dos pontos a serem melhorados e os a serem reforçados. A partir disso, foi possível propor uma visão estratégica, com objetivos e meios para alcançar a conjuntura pretendida para Lavras Novas.

Lavras Novas

1 – CARACTERIZAÇÃO DO MUNICÍPIO

1.1 – HISTÓRICO

Lavras Novas do Coronel Furtado, fora descoberta pela família Cubas de Mendonça, sendo de 1717 o documento mais antigo encontrado (batistério de Maria dos Prazeres, filha de tradicional família paulista da época) e evidências que provam que existiram minas auríferas antes das existentes em Mariana e Ouro Preto.

Com a descoberta do ouro, formou-se um aglomerado próximo às minas de exploração, sendo esta a principal atividade do local até a queda de sua produção mineral.

Quando o ouro da região escasseou, ao final do século XVIII, o povoado entrou em decadência e, devido ao seu difícil acesso, ficou praticamente isolado do resto do município de Ouro Preto. Isto acabou por gerar um número expressivo de casamentos consangüíneos, o que contribuiu para manter sua população majoritariamente negra, descendente do grande número de escravos utilizados nas lavras de ouro.

O distrito de Lavras Novas é um dos mais antigos da região de Ouro Preto. Possui uma paisagem urbana e rural bastante singular, local de rios e cachoeiras, lagos, de onde se avistam a Serra do Caraça, Serra da Bocaina, Serra do Itabirito, Serra da Chapada, Serra de Ouro Branco, Serra do Cápua e o Parque do Itacolomi. A cidade permaneceu preservada devido à estagnação a que foi submetida após o declínio da atividade aurífera.


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Por: Danilo Raslan, Felipe Caputo, Filipe Elias e Gabriel Túlio – Dê crédito aos autores!

1. INTRODUÇÃO

O presente trabalho consiste em um estudo sobre a Avenida Afonso Pena, no quarteirão das ruas Álvares Cabral e Guajajaras. Esta área é de grande importância histórica e cultural para Belo Horizonte, uma vez que possui edificações tombadas pelo IPHAN e o Parque Municipal da Cidade, um importante espaço verde dentro do sítio urbano.

É feita uma contextualização da área analisada, através de um breve histórico da cidade de Belo Horizonte, da Avenida Afonso Pena e dos principais edifícios que compõem a área, como o Palácio das Artes, o Conservatório de Música e o Automóvel Clube, além do Parque Municipal, que se apresenta como um espaço para desenvolvimento de atividades de lazer para a população de Belo Horizonte.

A área é bastante movimentada, tanto por pedestres, quanto por veículos, o que traduz a relevância de se estudar esta região, tendo como base a relação dos transeuntes e as edificações. Além disso, possui prédios de interesse turístico, conformando uma área complexa com usos diferenciados e um pertencimento de lugar bastante variado.

Afonso Pena

Dessa forma, o trabalho objetiva a análise da percepção territorial, levando-se em consideração as dimensões analíticas da arquitetura, como: levantamento dos recursos locais, que constitui uma investigação dos recursos locais para o desenvolvimento do turismo a partir de uma breve sistematização dos recursos naturais, históricos e culturais, dos tipos especiais de atrativos, do clima, da qualidade ambiental da região, da infra-estrutura urbana, serviços urbanos e dos serviços e equipamentos em áreas turísticas; morfologia do território, que se fundamenta na análise das formas que o território se estrutura, tendo como base o crescimento das edificações, o traçado e parcelamento do território, os tipos dos elementos que constituem o espaço e suas articulações; a percepção do meio ambiente, que consiste na análise do espaço existencial e seu nível de percepção, a fim de definir o genius loci que o lugar possui; análise visual, que é uma avaliação do lugar e seu conteúdo, com intuito de perceber qual o grau de pertencimento do usuário com o lugar; as qualidades territoriais, que analisa a imageabilidade do lugar, levando-se em consideração cinco elementos – caminhos, limites, setores, nós e marcos -, a legibilidade que avalia a facilidade com que o usuário faz a leitura do lugar e a identidade que consiste em diferenciar e identificar um espaço do outro, através da percepção do usuário; por fim, o comportamento ambiental, que é uma observação da paisagem local, avaliando os aspectos físicos do território e suas relações com os transeuntes.


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Por: Mariana de Freitas Coelho, Marina Araújo, Fernando Tomaz e Luana Medrado – Dê crédito aos autores!

1- INTRODUÇÃO

“Se seguirmos o exemplo dos índios que vieram à Serra para reverenciá-la, talvez encontremos algum caminho de promoção sustentada do turismo. Acreditamos que o rótulo de ecoturístico não cabe a uma destinação qualquer por si só. Ecoturística deve ser a atitude da pessoa que vai empreender a viagem, qualquer que seja o destino. Esta atitude implica numa sacralização deste destino, seja ele qual for. Sacralizar uma destinação qualquer implica em se prostrar humilde diante dela. Só então poderemos conceber que os princípios da sustentabilidade, da responsabilidade e da precaução estarão de fato permeando nossas ações enquanto verdadeiros ecoturistas.” (GONTIJO, 2003, p. 7).

Tendo em vista o potencial da Serra do Cipó e seu entorno para o desenvolvimento de atividades turísticas, sobretudos aquelas relacionados ao turismo de natureza, este trabalho foi proposto durante a disciplina Turismo e Meio Ambiente, ofertada ao curso de graduação em Turismo da Universidade Federal de Minas Gerais.

Foi feita uma análise de âmbito local nos dois povoados de Minas Gerais com características sócio-espaciais distintas: Serra dos Alves, localizado na zona rural de Itabira e Cabeça de Boi, distrito do município de Itambé do Mato Dentro. Ambos povoados possuem riquezas naturais e cênicas de valor inestimável e vêm sendo procurados como destinos turísticos, sofrendo pressões oriundas da atividade. Os locais pesquisados estão localizados relativamente próximos da capital mineira, facilitando o acesso de turistas de Belo Horizonte e região. Os lugarejos estão ainda, dentro da Área de Proteção Ambiental Morro da Pedreira, que circunda o Parque Nacional da Serra do Cipó.

Itambé do Mato Dentro

Itambé do Mato Dentro

Através de uma inserção local na faixa de estudo, buscou-se analisar a atuação das Prefeituras e Câmaras de Itabira e Itambé do Mato Dentro, de acordo com os aspectos políticos, sociais e econômicos de cada localidade. Avaliou-se também a atuação das associações comunitárias e as relações dos povoados com localidades próximas, através de uma análise comparativa entre os dois povoados enfocados. Foram levantadas ainda, informações e questões relacionadas ao quadro natural e ambiental local.

Tendo em vista a carência de estudos específicos sobre os dois povoados, foram feitas análises críticas e comparativas entre as situações percebidas pelo grupo em cada local, as quais, muitas ainda merecem um estudo mais aprofundado. Buscou-se, ainda, encontrar possíveis soluções e/ou ações mitigadoras dos impactos sofridos nos povoados estudados relacionados à atividade turística, que podem auxiliar no desenvolvimento mais sustentável da região.

2- METODOLOGIA

A metodologia utilizada para a realização desse trabalho teve a finalidade de analisar o contexto local dos dois povoados estudados sob um olhar crítico, dentro de uma perspectiva de sustentabilidade. Para tanto, parte do trabalho foi feita com base na disciplina Turismo e Meio Ambiente, através de palestras e discussões teóricas. Utilizou-se, ainda, de pesquisas bibliográficas e pesquisas de gabinete para levantar dados sobre a região abrangida no estudo, que contribuíram para uma concretização mais sólida do mesmo.

Outra parte dessa pesquisa foi desenvolvida em um trabalho de campo entre os dias 8 e 11 de outubro de 2006. Em tal oportunidade, o grupo pode ter uma experiência “in locu”, sendo possível obter informações e fazer um diagnóstico sobre a realidade vivenciada em Serra dos Alves, Cabeça de Boi e outras localidades relacionadas. Conversou-se com moradores locais e visitou-se as prefeituras de Itambé do Mato Dentro e Itabira. Foram aplicados questionários semi-estuturados qualitativos a agentes influentes na região. Além disso, foram feitos registros fotográficos das localidades. É importante destacar, entretanto, a dificuldade encontrada ao se conversar com os moradores locais. Além de cada morador ter uma opinião diferenciada, os pesquisadores também possuem percepções individuais sobre tais conversas. Acredita-se ainda, que devido ao pouco contato com as comunidades, muito pode ter sido omitido por essas populações, o que mostra a necessidade e importância da continuidade de pesquisas nas localidades em questão.

A última parte do trabalho consistiu em discussões sobre as percepções e levantamentos feitos a fim de encontrar possíveis formas de enfrentar a problemática do local estudado de uma maneira mais sustentável. Esse conjunto de atividades desempenhadas pelo grupo resultou, portanto, no trabalho apresentado a seguir.

3. CARACTERIZAÇÃO DA ÁREA DE ESTUDO

O presente estudo tem como foco as comunidades rurais de Serra dos Alves, que localiza-se a 30 Km do município de Itabira e Cabeça de Boi, que dista 5 Km de Itambé do Mato Dentro. A fim de compreendermos melhor a estrutura espacial dessas comunidades, será apresentado um panorama simplificado dos municípios a que esses pertencem.


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Teoria de Cluster: Uma orientação para os hoteleiros de Belo Horizonte.

Por: Ana Carolina Teixeira Pontes, Luana Soares Medrado e Vítor Kendi Iida Kosaka – Dê crédito aos autores!

1- Apresentação

Este trabalho é fruto de uma pesquisa desenvolvida durante a disciplina de Estágio Curricular de Pesquisa ofertada pelo curso de Turismo da Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG. Este estudo realiza a investigação sobre a organização, funcionamento e as políticas de relacionamentos de três hotéis em Belo Horizonte, a saber: Normandy, classificação três estrelas, Pampulha Palace, classificação duas estrelas e o Hotel Santa Marlene, sem classificação (segundo classificação da Empresa Municipal de Turismo da Prefeitura de Belo Horizonte – Belotur), investiga também, o perfil e motivação dos hóspedes, a atuação de entidades e associações de classe e outros órgãos relacionados ao setor.

1.1- Justificativa

Em Belo Horizonte as décadas de 80 e 90 foram marcadas pela recessão do setor hoteleiro belorizontino e o crescimento desordenado dos meios de hospedagem resultando num excesso de excesso de oferta que, não foi acompanhado pelo crescimento da demanda. Neste período, não havia um mercado que justificasse essa expansão desenfreada do setor hoteleiro, gerando a saturação do mercado e ociosidade das unidades habitacionais.

Os antigos hotéis sofreram com os impactos dessa crise, uma vez que, conjuntamente, ocorria a deterioração da região em que se inserem: o hipercentro da capital. Essa área apresenta problemas de violência e de trânsito congestionado. Aliado a esses problemas, o mal estado de conservação dos equipamentos e estrutura dos hotéis, contribuiam para as baixas taxas de ocupação. Assim, os hotéis não conseguiam investir na modernização e conservação de suas dependências, sendo obrigados a abaixar as tarifas para se manterem.

Belo Horizonte

Felizmente, a atividade turística da capital apresenta um novo dinamismo, proporcionado pelo próprio crescimento econômico da cidade, pelas suas mudanças estruturais e pelo aumento do número de eventos captados. A melhoria do acesso ao aeroporto de Confins através da ampliação da Linha Verde, a ampliação do Expominas e outras ações de agentes públicos e privados colaboram para essa dinamização. Esse novo cenário exige uma melhor organização e qualificação do setor hoteleiro, visto que, novas oportunidades se apresentam.

Parte do setor hoteleiro da capital não acompanhana o dinamismo da atividade turística. Muitos desses meios de hospedagem ainda atuam de forma amadora, apresentam baixo grau de profissionalização e técnicas de gestão obsoletas. Abdicam de um planejamento a nível estratégico e gerencial, assim como, de um estudo de mercado e da pesquisa de opinião dos clientes.

Neste sentido, torna-se fundamental a mudança desse paradigma de mentalidade amadora, por parte dos hoteleiros. Castelli (1991, p.13), chama atenção para a importância da aptidão para mudanças e da adequação para as novas necessidades do mercado:

Aptidão para as mudanças consiste numa atitude do empresário perante o futuro. É precisamente esta aptidão para mudanças que fará com que o hotel de sucesso de hoje seja o hotel de sucesso do amanhã.
Uma postura prospectiva está fundamentada na firme na firme decisão do empresário em ser um agente condutor desse futuro,e não meramente um agente passivo.

Para Petrochi (2002), o gestor hoteleiro deve buscar aderir às associações comerciais e de classe pois, o turismo depende desta cultura associativa para crescer e produzir benefícios. É através deste associativismo que são alcançados os processos de recuperação e mudança em busca da qualidade da oferta turística.

Nesse processo é importante a boa atuação dos sindicatos hoteleiros, de órgãos públicos como a Belotur e Secretaria de Turismo do Estado e entidades privadas como a ABIH (Associação Brasileira da Indústria de Hotéis), a ABAV (Associação Brasileira das Agencias de Viagem), Sebrae e Senac. Todos eles se apresentam como orientadores e colaboradores para o desenvolvimento do setor hoteleiro.
Segundo Petrochi (2002, p. 80):

[...] um dos aspectos mais importantes da administração hoteleira é a sua interação com o destino turístico onde hotel está inserido. Em um ambiente de competitividade é imperativa a adoção de uma cultura associativa entre os empresários do turismo.

Assim, percebe-se que o pensamento orientado para a teoria de cluster configura-se como uma alternativa viável para o setor hoteleiro belorizontino. Os diversos estabelecimentos hoteleiros e os demais atores envolvidos com esse setor, organizados sinergicamente alcançam vantagem competitiva, e consequetemente elevam o produto turístico Belo Horizonte em nível regional e nacional.

A partir desse pensamento, a concorrência entre os empreendimentos hoteleiros se dará de forma sadia e, se embasará nos diferenciais dos serviços oferecidos e pela habilidade de gestão de cada um desses. Neste trabalho são apontadas as bases da qualidade total na hotelaria e o marketing hoteleiro como ferramentas indispensáveis no processo de competitividade dentro de um cluster.

Assim, é apontada a problemática desta pesquisa “como o pensamento orientado para a Teoria de Cluster pode contribuir para a organização da rede hoteleira em Belo Horizonte e para o desenvolvimento satisfatório da atividade turística no município ?”

1.2- Objetivos

Objetivos Gerais;

• Indicar caminhos para uma melhor organização e articulação da rede hoteleira de Belo Horizonte de forma a contribuir para o desempenho do setor e da atividade turística.

Objetivos Específicos;

• Investigar a organização e funcionamento dos hotéis contemplados neste estudo;
• Averiguar políticas de relacionamento dos hotéis com agentes públicos e privados e entidades de classe;
• Analisar a atuação solidária para a promoção da atividade turística em Belo horizonte e Minas Gerais;
• Estudar a política de clientela adotada pelos hotéis, assim como perfil e motivação do turista;
• Apontar a importância da adoção de técnicas de Maketing Hoteleiro e Qualidade Total para aumentar competitividade e qualidade dos serviços;
• Buscar apontar a importância da quebra de paradigmas de uma postura amadora de muitos empreendimentos e também, apontar a importância para a profissionalização do setor.


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Por: Ana Carolina Teixeira Pontes, Ludmila Figueiredo Pitangui Mendonça, Vitor Kendi Iida Kosaka e Wallace Fernandes de Faria – Dê crédito aos autores!

RESUMO

Este artigo aborda as práticas alimentares no distrito de São João da Chapada – MG, relacionando-as com os aspectos culturais desse povoado. Abordam-se também, como as iniciativas de Turismo Solidário, em processo de implantação na região, podem contribuir para a valorização dessa cultura.

Palvras-Chave: práticas alimentares – cultura garimpeira – Turismo Solidário

ABSTRACT

This article refers to the practices of feeding on the county of São João da Chapada – MG, relating them to the culture aspects of this people. Refers, also, to how the initiatives of Solidarity Tourism – in process of implantation on the region – may contribute to the valorization of their culture.

Key words: practices of feeding – culture of garimpo – Solidarity Tourism

INTRODUÇÃO

Alimentar-se para o ser humano é um ato carregado de elementos culturais e ideológicos. Os valores atribuídos aos alimentos passam da necessidade vital de sobrevivência, assumindo representações culturais e criando formas de sociabilidade. O artigo busca demonstrar como as práticas alimentares revelam aspectos da cultura sanjoanense e como o turismo, ao propiciar o encontro com o outro, pode contribuir para a valorização dessa cultura por parte dos moradores.

Este trabalho é parte das atividades acadêmicas desenvolvidas no Instituto de Geociências da Universidade Federal de Minas Gerais (IGC/UFMG), como o produto final da disciplina Turismo Cultural do curso de graduação em Turismo, ministrada pela professora Mariana de Oliveira Lacerda. Foi fruto tanto de uma pesquisa de gabinete, quanto de uma visita de campo na localidade estudada, entre os dias 29 e 31 de outubro, do ano de 2006.


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Por: Danielle Carvalho, Lucilene Batista Lopes, Wallace Faria, Filipe Costa, Cléber, Evandro Brum, Vitor Kendi Iida Kosaka, Dener Henrique Fonseca e Ramon Vargas – Dê crédito aos autores!

1 Apresentação

Vemos que o turismo constitui uma atividade econômica e social importante na geração de renda e empregos no Brasil e no mundo, sendo observados benefícios principalmente nas regiões de destino. A realização da atividade turística, entretanto, pode acarretar em impactos negativos sobre a economia local (aumento do custo de vida, especulação imobiliária, instalação de empresas de fora da cidade, etc.) e sobre a vida social e cultural das comunidades locais (perda da identidade cultural da população, inserção de novos valores sociais e culturais, perturbação da ordem pública, etc.).

Os organismos governamentais têm se voltado para o planejamento e a regulamentação da atividade turística no âmbito local e regional, a fim de oferecer ao mercado turístico um produto formatado e de qualidade, que atenda às expectativas do consumidor, visando não só a sua consolidação no mercado como também a atuação em novos mercados para, dessa forma, atrair um maior número de turistas e assim promover o desenvolvimento social e econômico da região. Com isso, o turismo vem ocupando um espaço cada vez maior nas decisões sobre a elaboração e adoção de políticas públicas e no planejamento urbano, tendo em vista a necessidade da execução de medidas que garantam a sustentabilidade da atividade turística.

Extrema On Line

Fonte: Extrema On Line

2 Justificativa

O turismo é apontado como uma alternativa econômica, principalmente para as regiões onde não há mais a possibilidade de expansão da fronteira agrícola, do parque industrial ou de crescimento do setor terciário (comércio e prestação de serviços), constituindo uma fonte de renda alternativa e complementar para a população local e aumentando a renda dos municípios localizados nas regiões com potencial turístico.

A reunião dos atrativos existentes em conjunto com os serviços oferecidos na formatação de um produto turístico, constitui o destino turístico. Para a inserção da comunidade neste processo, obrigatoriamente devem existir políticas públicas voltadas à sua inserção, incentivo ao investimento no setor, regulamentação e fiscalização da atividade turística a ser praticada na região.

Com o trabalho realizado, busca-se através de um diagnóstico da cidade, nos mais diversos âmbitos, elaborar um prognóstico que contenha medidas a fim de otimizar as ações do poder público e permear as ações do setor privado reduzindo os gastos com a execução destas ações, além de inserir a comunidade local, introduzindo o município no âmbito regional de desenvolvimento turístico. O processo de formatação do produto turístico abrange a adoção de políticas públicas voltadas ao desenvolvimento da atividade turística (investimentos na infra-estrutura, incentivos ao investimento privado no setor, ações de preservação do patrimônio ambiental, histórico e cultural, além da fiscalização da atividade turística), o envolvimento da iniciativa privada na oferta e na qualidade dos serviços, a elaboração de estratégias de marketing aplicadas ao produto turístico do município (tendo em vista a segmentação do mercado, o público-alvo e o ambiente externo), e também a participação da comunidade local no desenvolvimento e na execução da atividade turística.

3 Metodologia

As obtenções das informações relevantes ao processo de elaboração do trabalho, ocorreram mediante a realização de visitas em campo, no município de Extrema (MG), no período compreendido entre os dias 17 e 21 de outubro de 2005. Também foram consultadas as informações contidas em jornais locais, publicações de folders turísticos, sítios em geral e do município na internet, além de consultas bibliográficas.

As informações para a elaboração deste trabalho foram obtidas através da observação empírica (direta e indireta) das características do município (considerando o contexto regional), da realização de entrevistas diretamente com os atores envolvidos no processo turístico (associações, empresas de diversos setores, o poder público municipal, a comunidade local e os turistas), do inventariado técnico da infra-estrutura local, dos atrativos turísticos e dos serviços ofertados. Em nível de gabinete foi realizada uma pesquisa bibliográfica sobre o referencial teórico no qual está embasada a elaboração deste trabalho.


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Por: Lucas BahienseDê crédito aos autores!

1 – A cidade hospitaleira

De acordo com Lúcio Grinover, a melhor forma de analisar se uma cidade é hospitaleira é analisando três dimensões fundamentais da cidade: acessibilidade, legibilidade e identidade.

1.1 – Acessibilidade

Uma política urbana correta deve se preocupar com o acesso à cidade por parte de qualquer indivíduo. Segundo Grinover, 2007 “A acessibilidade evoca diversos conceitos ligados às possibilidades de acesso dos indivíduos, ou de grupos sociais, a certas atividades ou a certos serviços que estão presentes na cidade, devendo proporcionar igualdade de oportunidade aos usuários urbanos. O acesso à cidade é direito de todos. Pode ser considerada como a disponibilidade de instalações ou meios físicos que permitem esse acesso, ou, ainda de acessibilidade sócio-econômica”.

Se formos analisar a acessibilidade física das cidades brasileiras em relação a como chegar a ela, por um lado perceberemos que são acessíveis. Afinal, é possível chegar à maioria das cidades brasileiras pelas rodovias, algumas por ferrovias e também pelos transportes aéreos.

No entanto, se analisarmos internamente uma cidade, tanto para a população residente quanto para turistas, notaremos a abordagem será diferente. Apesar da grande quantidade de pontes, avenidas e algumas evoluções em transportes urbanos, que interligam vários pontos a cidade e objetivam melhorar a qualidade do trânsito, perceberemos que as ruas e calçadas apresentam enormes dificuldades a idosos, crianças e deficientes físicos. Além disso, os transportes urbanos parecem ter sido elaborados somente para que pessoas jovens e sadias consigam utilizar.

Outra forma de termos acesso à cidade na atualidade, é através de meios de comunicação – televisão, revistas, jornais e internet. São muito utilizados pelo turista quando pretende visitar pela primeira vez uma cidade. É possível ter acesso a muitas informações sobre uma cidade por sites da Internet.

Quanto à acessibilidade sócio-econômica, também há um enorme problema. Muitas vezes, existem os serviços em determinadas cidades, mas infelizmente, devido ao baixo poder aquisitivo de grande parte da população brasileira, esses serviços são desfrutados por uma pequena parcela da população, ou até mesmo por turistas, que muitas vezes acabam tendo acesso a bens e serviços que o próprio morador não tem.

1.2 – Legibilidade

Por legibilidade, entende-se a qualidade visual de uma cidade, de um território, examinada por meio de estudos da imagem mental que dela fazem, antes de qualquer outro, os seus habitantes. (…) Com legibilidade pretende-se indicar a facilidade com que partes de uma cidade podem ser reconhecidas e organizadas num modelo coerente. (Grinover, 2007)

A imagem mental concentra-se na legibilidade (clareza) da paisagem das cidades. É um termo que possui a finalidade de indicar a facilidade com que as partes da cidade como obra arquitetônica podem ser reconhecidas e organizadas em um modelo coerente. Para Lynch, uma cidade poderia ser considerada coerente quando seus bairros, marcos e vias pudessem ser facilmente abstraídos em um modelo mental. Lynch acredita que um cenário urbano intenso e integrado é capaz de produzir uma imagem definida podendo, desse modo, desempenhar também um papel social oferecendo-se como um material objetivo na construção de símbolos e representações coletivas da comunicação do grupo. “No processo de orientação, o elo estratégico é a imagem ambiental, o quadro mental generalizado do mundo físico exterior de que cada indivíduo é portador. Essa imagem é produto tanto da sensação imediata quanto da lembrança de experiências passadas, e seu uso se presta a interpretar as informações e orientar ações”. (Kevin Lynch)

A cidade possui um sólido e poderoso significado expressivo, ou seja, ela é em si um forte símbolo social. Portanto, é possível perceber imagens públicas no meio urbano. As imagens públicas são imagens mentais comuns a vastos contingentes de habitantes de uma cidade. Elas são a interação de uma única realidade objetiva, de uma cultura e natureza fisiológica comum aos habitantes de determinada localidade.

1.3 – Identidade

A cidade é um sistema de signos, um vocabulário dominado pelo cidadão. Os lugares vivos constituem referências para a memória e as culturas locais. É essencial o cultivo da memória urbana. O historiador, o poeta, o músico fazem do todo e dos fragmentos da cidade o foco da organização de lembranças e da libertação de emoções. A emoção impregna o meio ambiente popular urbano. A cidade é um composto de pedras e tijolos acumulados, e de costumes e afetos praticados pela população urbana. (CANEVACCI)

A identidade de uma região, de uma cidade, é, ao mesmo tempo o passado vivido por seus atores e um futuro desejado por eles. (Grinover, 2007)

A identidade cultural pode ser analisada a partir dos conceitos social e cultural. O conceito de social diz respeito à totalidade das relações – de produção, de exploração, de dominação – que os grupos mantém entre si dentro de um mesmo conjunto – etnia, lugar, região, nação – e para com outros conjuntos. Portanto, a cultura, nada mais é do que o próprio social, mas considerado, sob o ângulo dos diferentes comportamentos individuais dos membros deste grupo, bem como suas produções originais.

Portanto, a identidade cultural é um processo de reconhecimento que o sujeito social realiza ao viver numa cultura e assume como algo próprio, os valores característicos de uma determinada cultura, ou seja, é a forma como os sujeitos sociais incorporam e expressam – através da vivência – os elementos da cultura dos grupos do qual fazem parte.

Sendo a cultura, e conseqüentemente a identidade cultural, alterada sob o efeito de iniciativas da sociedade, o turismo revela-se um elemento importante na compreensão dessas alterações.

O turismo, enquanto atividade que atende a lógica do mercado e do consumo capitalista, revela-se na atualidade um grande transformador da valorização dos espaços, uma vez que estes são transformados em mercadorias consumidas pelo turista. Há também modificações nas relações que se desenvolvem com este espaço e sobre este espaço, uma vez que há a valorização e recriação de hábitos regionais.

Portanto a invenção do objeto de estudo do turismo se dá através da combinação entre o natural e o cultural, sendo que a cultura atribui significados àquele primeiro. Assim, a cultura como produto das relações entre os homens e o seu lugar, que dá sentido a este lugar, subsidia a invenção do objeto turístico.

Referências

GRINOVER, Lucio. A hospitalidade, a cidade e o turismo. São Paulo: Alpeh, 2007.

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