Por: André Franchini Campos de Pinho, Eberth Celeghini Rosa, Gustavo Pereira Pinto e Júlia Freire Ribeiro – Dê crédito aos autores!
Introdução
O ecoturismo, enquanto objeto de estudo acadêmico, apenas recentemente atingiu o status que é merecido, principalmente após o desenvolvimento econômico do setor, que demandou uma melhor estruturação do produto para que ele não se esgotasse. A partir de análises desenvolvidas sobre os temas “ecologia”, “meio ambiente” e “desenvolvimento sustentável”, o conceito do ecoturismo foi aos poucos se desenvolvendo com suas idéias e correntes causadoras de controvérsias no momento da execução dos planos do setor para Unidades de Conservação – UC’s.
A urgência de um debate sobre o assunto se faz mostrar no estado em que se encontram estas UC’s atualmente: grande parte dessas áreas já está extremamente deteriorada e a recuperação dos danos causados pela atividade turística pode ser irreversível em muitos casos. O modo como os parques recebem seus planos de manejo é também alvo de críticas, e esse pode ser o motivo pelo qual os danos ao meio ecológico se agravam.
O estudo desta disciplina, tomando por base um caso real – diagnóstico e prognóstico do Parque Estadual do Itacolomi, localizados em dois municípios, Ouro Preto e Mariana – é uma forma de refletirmos a respeito do desenvolvimento da atividade ecoturística, seus caminhos e perigos para uma dimensão superior – a do futuro do meio ambiente e sua relação com o desenvolvimento humano.
Referencial Teórico
Para que seja possível analisar a atual situação do Parque Estadual do Itacolomi, no que diz respeito às práticas ecoturísticas realizadas nessa Unidade de Conservação, é preciso que se crie um embasamento teórico que sirva de referencial nessa pesquisa.
Dessa forma, tomou-se como parâmetro três temas principais que seriam interessantes para se debater essa situação. Assim, a discussão se dará em torno das palavras chaves: Unidades de Conservação, ecoturismo e a trilhas interpretativas. Discute-se primeiramente o conceito de UC’s para entender a origem e os objetivos dessas áreas; em seguida, no embasamento teórico sobre a prática do ecoturismo busca-se traçar um histórico e apontar suas “variações”, bem como determinar um perfil ideal do ecoturista; na terceira e última parte discute-se a possibilidade de criação de trilhas interpretativas e a sua relação com a educação ambiental.
Após um aprofundamento nesses três temas será possível realizar uma análise mais crítica e construtiva sobre o momento vivido pelo Parque do Itacolomi e as práticas ecoturísticas em seu território.
Unidades de Conservação
O movimento para criação de áreas protegidas iniciou-se nos Estados Unidos em meados do século XIX, embora alguns autores afirmem que essa ideologia já tenha sido discutida primeiramente pelos europeus. Anteriormente a esse movimento, o mundo natural era desvalorizado, e visto como algo além da realidade do ser humano, que se sentia superior aos demais seres do meio ambiente.
É valido ressaltar, segundo Corbin (1989), a importância dos escritores românticos dessa época, que idealizaram a questão da “natureza selvagem”. E foi nesse contexto de romantização do natural que se desenvolveu a idéia de criação de parques nacionais a partir do conceito de wilderness (selvagem). De acordo com Koppes (1988), nessa época havia três idéias básicas que moviam o pensamento conservacionista: eficiência, equidade e estética. Essas três idéias traduzem o pensamento da época: utilização eficiente dos recursos naturais; ou uso adequado desses recursos como forma de desenvolvimento; ou até mesmo a valorização desses recursos pelos aspectos estéticos e por seu efeito desestressante para o homem.
O Wilderness Act de 1964 define as Unidades de Conservação como áreas que não sofreram ação humana, e que o mesmo é apenas visitante. Destaque-se aqui a distância estabelecida pelo homem ente ele e o meio ambiente. Dessa forma, as Unidades de Conservação americanas num primeiro momento excluíam a presença humana – retirava os moradores nativos – e tinha como único e principal objetivo a contemplação das belezas naturais.
É nesse contexto que surge então duas visões distintas da conservação do ambiente natural, a Conservação dos Recursos Naturais e o Preservacionismo. Gifford Pinchot, segundo Diegues (1998), precursor do movimento de conservação dos recursos propõe seu uso racional, acreditando que esse uso deve-se dar pela geração presente, prevenindo desperdícios e beneficiando a maioria dos cidadãos. Esses princípios foram precursores do conceito de Desenvolvimento Sustentável, muito utilizado nos dias de hoje.
Em contrapartida ao Conservacionismo temos o Preservacionismo. De acordo com Diegues (1998), a preservação é o ato de preservar a natureza, sem a presença do homem, de forma a manter um espaço natural, separado do espaço ocupado pelo homem. O conceito de conservação então seria preservar um ambiente da maneira mais sustentável possível, permitindo uma troca entre homem e natureza, considerando que o primeiro faça parte do segundo. Ainda segundo o mesmo autor,
Se a essência da ‘conservação de recursos’ é o uso adequado e criterioso dos recursos naturais, a essência da corrente oposta, a preservacionista, pode ser descrita como a reverência à natureza no sentido da apreciação estética e espiritual da vida selvagem (wilderness). Ele pretende proteger a natureza contra o desenvolvimento moderno, industrial e urbano.
Apesar desse conflito ideológico entre conservação e uso adequado dos recursos, e o preservacionismo puro com proteção extrema, as unidades de proteção e os parques nacionais aumentaram consideravelmente nos Estados Unidos, com equipamento e infra-estrutura turística que atraiam a população.
De acordo com Koppes (1988), a princípio, apesar da criação dessas unidades ter sido motivada por um ponto de vista estético, passou-se a criar também unidades que iam de acordo com os critérios ecológicos.
Dessa maneira é possível perceber que a nomenclatura escolhida para denominar os parques nacionais de conservação americanos, num primeiro momento, foi utilizada de forma equivocada. Foram chamadas de Unidade de Conservação as áreas que eram protegidas com o intuito de serem usufruídas pelo seres humanos apenas pelo seu aspecto estético, embora o conceito de conservação englobe o uso eficiente dos recursos naturais disponíveis.
A principal ferramenta de apoio aos parques na tentativa de se criar um Plano de Manejo é o SNUC. O SNUC (Sistema Nacional de Unidades de Conservação) foi criado em 18 de Julho de 2000 e é a consolidação de normas e leis de regras de manejo para UC’s. Assim ele foi instituído para definir, uniformizar e consolidar critérios para a criação, gestão e manejo das áreas protegidas no Brasil.
De acordo com o manual de monitores do Parque do Itacolomi, o SNUC é constituído pelo conjunto das UC’s federais, estaduais e municipais e tem como principais objetivos:
- Contribuir para a manutenção da diversidade biológica e dos recursos genéticos no território nacional e nas águas jurisdicionais.
- Proteger as espécies ameaçadas de extinção no âmbito regional e nacional.
- Contribuir para a preservação e restauração da diversidade de ecossistemas naturais.
- Promover o desenvolvimento sustentável a partir dos recursos naturais, utilizando para tal finalidade os princípios e práticas da conservação da natureza.
- Proteger e recuperar os recursos hídricos e edáficos (do solo) além das características relevantes de natureza geológica, espeleológica, arqueológica, paleontológica ou cultural.
- Recuperar e restaurar ecossistemas degradados através de meios e incentivos à pesquisa científica e monitoramento ambiental.
- Valorizar econômica e socialmente a diversidade biológica, favorecendo condições e promovendo a educação e interpretação ambiental, a recreação em contato com a natureza e o turismo ecológico.
- Proteger os recursos naturais necessários à subsistência de populações tradicionais, respeitando e valorizando seu conhecimento e sua cultura.
Ecoturismo
Em meados da década de 70, motivados pelas questões ambientalistas de combater os impactos sócio-ambientais provocados pelo Turismo de Massa, surge o conceito de Turismo Alternativo. Essa modalidade de turismo busca contato direto com as populações autóctones, renunciando o conforto e luxo da maioria das infra-estruturas turísticas, com uma inserção no cotidiano local, e participação da sua cultura e compartilhamento dos seus hábitos, enfim, opondo-se ao Turismo de Massa.
Antes do surgimento da nomenclatura Ecoturismo, essa modalidade foi conhecida como “turismo verde”, “turismo da descoberta”, “turismo suave”, “turismo participativo”, entre outros. Há uma grande diferença entre a prática do ecoturismo e as outras atividades turísticas desenvolvidas em meio natural, como o turismo na natureza. De acordo com Wallace e Pierce (1993, 1996), pode-se considerar ecoturismo a atividade que possuir os seguintes pré-requisitos:
- Minimiza impactos negativos tanto para o meio ambiente quanto para a população local.
- Aumenta consciência e compreensão em relação ao sistema natural e cultural, e gera, conseqüentemente, uma maior interação entre o visitante e o local visitado.
- Contribui para a conservação das áreas protegidas.
- Maximiza a participação da população nativa nas decisões referentes a capacidade carga, etc.
- Direciona benefícios à população local que serve de complemento à sua renda proveniente das práticas tradicionais ao invés de substituí-las, pesca, agricultura, etc.
- Oferece oportunidades de vivências ecológicas aos habitantes e aos funcionários do parque.
Apesar disso, ambos os autores concordam que a prática plena do ecoturismo é rara de ocorrer, uma vez que são vários os impactos causados pela presença humana, e a habilidade de visualizá-los e evitá-los não é fácil.
De acordo com uma pesquisa realizada em 1994 (Ruschamnn, 1995), o que motiva as pessoas a buscarem o ecoturismo é, primeiramente, o contato com a natureza, e em segundo lugar a busca por aventura e emoções, a curiosidade e a necessidade de estar com amigos, conhecer novas pessoas, estudar o meio ambiente ou praticar exercícios.
Apesar de haver uma característica em comum para todos aqueles que desejam praticar o ecoturismo, que é seguida pelas práticas acima colocadas, Salvati (2003) afirma que:
“O perfil do público consumidor de turismo pode ser dividido em várias categorias tais como as demográficas (idade, sexo, renda e origem), interesses ou preferências nas viagens. Atualmente, tem-se falado em ecoturistas ‘hard’ (aquele com espírito de aventura e melhor preparo físico) e ‘soft’ (preferem experiências fisicamente mais leves e curtas). Esta mesma tipologia tem sido usada para se definir o ecoturista menos engajado no ecoturismo puro (soft) e o mais engajado (hard)”.
Trilhas Interpretativas
De acordo com Tilden (1957), o objetivo da interpretação ambiental é revelar os significados, relações ou fenômenos naturais por intermédio de experiências práticas e meios interpretativos, ao invés da simples comunicação de dados e fatos. Segundo Ham (1992), a interpretação ambiental inclui a tradução da linguagem técnica em idéias que as pessoas em geral possam facilmente entender.
A interpretação em trilhas pode acontecer de duas formas, com auxílio de um guia ou auto guiada. A primeira opção conta com um profissional que funcionará como um intermédio entre o visitante e o local visitado, não só fornecendo informações e dados como também sensibilizando o turista quanto às questões ambientais através da educação ambiental. As trilhas auto guiadas, por sua vez contam com recursos visuais e gráficos que indicam não só o caminho a ser seguido, mas como também os elementos a serem destacados e os temas a serem desenvolvidos.
Tilden (1957) afirma que existem seis princípios na interpretação ambiental, sendo eles:
- O processo de interpretação deve se relacionar com a personalidade e experiência do grupo de visitantes;
- A interpretação não é somente informar;
- A interpretação é uma arte;
- A interpretação deve educar, criar expectativas, questionamentos e provocações;
- Deve ser elaborada visando o entendimento do todo, de uma grande idéia;
- A interpretação deve ser específica e dirigida ao estilo de visitante.
Segundo Salvati (2003), os objetivos da interpretação do meio ambiente são: facilitar o conhecimento e a apreciação da natureza, conservar seus recursos naturais, históricos e culturais; aumentar a satisfação dos visitantes; servir de ferramenta para o manejo dos visitantes; e estimular a participação do visitante nas questões político-ambientais.
Carvalho (2004) discute uma questão bastante interessante na discussão sobre a Educação Ambiental. A autora coloca que existe uma diferença muito grande entre atitude e comportamento, sendo que a atitude precede o agir, enquanto o comportamento se refere ao agir sem pensar, seguindo os aspectos morais. Essa colocação é muito importante no planejamento de trilhas interpretativas, tanto guiadas como auto guiadas, uma vez que para que a interpretação ambiental consiga de fato educar o turista, ela precisa atingir mudanças na atitude da pessoa, e não no comportamento. É preciso que o aprendizado adquirido seja transmitido e aplicado na sua vida pessoal.
Contextualização da Região
O Parque Estadual do Itacolomi está inserido na porção sul da Reserva da Biosfera da Serra do Espinhaço, e situado entre os municípios de Ouro Preto e Mariana, a aproximadamente 110 km a sudeste de Belo Horizonte. Apesar de sua entrada principal e toda a área de visitação ser feita pelo município de Ouro Preto, a maior parte de sua área está em Mariana – aproximadamente 78%.
Criado em 1967, pela Lei Estadual no. 4.495, o Parque do Itacolomi completa 40 anos e é uma área de proteção integral, pois é uma Unidade de Conservação Estadual sob responsabilidade do Instituto Estadual de Florestas – IEF. O uso público do parque, que acontece desde Maio de 2004, é administrado pela Fundação Educativa de Rádio e Televisão de Ouro Preto (FEOP). Ao todo, sua área contempla 7.543 hectares.
Aspectos Físicos
Aspectos Geomorfológicos
A região tem grande apelo pela sua geomorfologia, que se destaca na paisagem não somente pela imponência da Serra – porção sul da Serra do Espinhaço – mas também pelo seu monumento natural, o Pico do Itacolomi, que é um dos símbolos da ocupação e da história de Ouro Preto. A Serra do Itacolomi é um dos ramos isolados da Serra do Espinhaço, que atravessa Minas Gerais do sul para o norte.
A composição rochosa do parque é formada principalmente por quartizitos, filitos, granitos e arenitos. Tem destaque os afloramentos rochosos nos campos de altitude e platôs com declives, como a Serra do Trovão, a de Lavras Novas, a do Cibrão e o Pico do Itacolomi. Essa diversidade geomorfológica do parque é caracterizada pela variação de altitude, que vai de 700m a 1772m – cume do pico.
Cobertura Vegetal
A vegetação do parque é composta de uma área de transição entre dois diferentes biomas, estando situado no extremo oeste dos domínios da Mata Atlântica e a leste do Cerrado. Tal diversidade é facilmente percebida nas trilhas oferecidas aos visitantes no parque, ainda que aproximadamente 60% de todo o terreno seja composto de Campos de Altitude. Sua vegetação é composta ainda por Floresta Estacional Semidecidual e Floresta de Galeria.
Uma árvore de grande beleza cênica encontrada no parque é quaresmeira, presente principalmente ao longo dos cursos d’água que cruzam a região. Nas partes mais elevadas destaca-se a existência de gramíneas e ciperáceas, sendo um exemplo importante a canela-de-ema. São presentes ainda campos de candeia pela região.
Mas o grande destaque – que também causa preocupação devido à biopirataria – são as exóticas bromélias e orquídeas, plantas que atraem o interesse do visitante e que muitas vezes, inconseqüentemente, acabam levando-as para fora do parque.
Fauna
Um levantamento do IEF constatou que existem cerca de 400 espécies diferentes de animais na área do Parque do Itacolomi, conferindo à região grande diversidade de fauna. Grande parte dessas espécies encontram-se ameaçadas em sua presença na área em que o parque está assentado, devido às queimadas freqüentes, principalmente nos meses que abrangem o inverno, época de seca e ventos intensos. Dentre as espécies existentes na região que se encontram ameaçadas destacam-se o lobo-guará, a onça parda, o macaco sauá, a ave-povó e o tamanduá-mirim.
Hidrografia
A bacia onde está situado o Parque Estadual do Itacolomi é a do Gualaxo do Sul, rio que é um dos afluentes do Rio do Carmo. Outros cursos d’água que cruzam o parque são: Rio Mainart, Ribeirão Belchior, Córrego dos Prazeres, Córrego Domingas e Córrego do Manso. Todos estes fazem parte da rede hidrográfica que compõe a Bacia do Rio Doce, uma das principais e mais importantes do Estado.
Clima
O clima da região assemelha-se ao da cidade de Ouro Preto: um clima típico de altitude, relativamente úmido com nevoeiros e ventos dominantes da região sudoeste. As chuvas são abundantes no verão, principalmente entre os meses de Novembro e Março. No inverno a paisagem fica mais seca, e devido à falta de chuvas e ventos os riscos de incêndios são grandes. A temperatura ao longo do ano varia de 4ºC a 33ºC, com média de 21 graus centígrados.
Aspectos Históricos
Ocupação da Região
O desbravamento da região fez parte dos trabalhos das bandeiras exploradoras do interior do continente ao longo do século XVII. Pouco se sabe sobre a primeira bandeira que atingiu a região, mas cogita-se que tenha sido as de Bartolomeu Bueno da Siqueira e Antônio Rodrigues Arzão. Entretanto, foi a Bandeira de Duarte Lopes que primeiro encontrou ouro na região, já no final do século XVII. A descoberta se deu ao acaso, quando um dos integrantes da expedição encontrou pedras escuras no leito do Rio Tripuí que, após terem sido levadas para o Rio de Janeiro para análise, relevaram-se como ouro de mais alto quilate, e sua cor escura era somente uma fina camada de óxido de ferro.
Trinta anos após a descoberta, um novo arraial do Morro de São Paulo, futura Vila Rica, já estaria instalado e contaria com aproximadamente 40 mil habitantes, sendo considerada a maior aglomeração humana da América Latina até então. Próximo a esta vila, às margens do Ribeirão do Carmo, surgia o Arraial de Nossa Senhora do Carmo, que mais tarde foi elevada a primeira cidade de Minas Gerais e escolhida como sede do Bispado mineiro. O ouro movimentava não somente a economia diretamente ligada a ele, mas também os mercadores que abasteciam a cidade, artesãos produtores de ferramentas, objetos e até mesmo arte, engenheiros de todos os setores, advogados, clero, médicos etc.
Até meados do século XVIII, o ouro era encontrado abundantemente, quando o metal começou a se escassear. Iniciou-se uma intensificação com relação a fiscalização da produção de ouro e cobrança de impostos dos mineradores. Tal pressão por parte da Coroa culminou com a Inconfidência Mineira.
Vila Rica virou Imperial Cidade de Ouro Preto em 1823 e permaneceu como capital da Província de Minas Gerais até 1897, ano da inauguração de Belo Horizonte. Já Mariana, uma das primeiras cidades projetadas do Brasil, foi tombada como Patrimônio histórico Nacional em 1945.
Histórico da Região do Parque
Grande parte da responsabilidade pela exploração da região de Ouro Preto se deveu a presença de um símbolo natural que guiava os bandeirantes do século XVII: o Pico do Itacolomi, a “Pedra- Menino”.
Em um dos pontos do parque, no caminho por onde se escoava a produção aurífera, foi construído um entreposto comercial-fiscal para a cobrança do quinto, o imposto da exploração do mineral em Minas Gerais, já logo após o início da povoação na região, em torno de 1706. Esse posto também era útil por ter sido uma forma de vigilância e defesa do acesso às minas. Ela é considerada um dos primeiros prédios públicos do Estado.
O local também foi cenário para os viajantes naturalistas dos séculos XVIII e XIX, como Spix e Von Martius, onde realizaram importantes estudos e pesquisas. Com o declínio da exploração aurífera na região, em meados do século XVIII, a região foi ocupada para a agricultura, com a plantação de chá. A área foi arrematada em 1772 pelo Sargento-Mor Manoel Manso da Costa Reis, e era conhecida na época com Fazenda da Vargem da Olaria. Em 1871 a propriedade foi hipotecada e, em 1909, passou às mãos dos irmãos Soares. Em data ainda não precisa, foi vendida a Francisco Diogo de Vasconcelos.
A então Fazenda do Manso, que ocupava a atual área do Parque do Itacolomi, estava entre as duas mais importantes produtoras de chá em Ouro Preto – que contava com mais sete outras empresas produtoras da erva. A produção do Chá Edelweiss prosperou a partir do início da década de 1930 e persistiu até o final dos anos 50. Na Fazenda São José do Manso havia, em 1946, 1,8 milhões de pés de chá. O proprietário da fazenda na época era José Salles Andrade, que importou as sementes da Índia e o maquinário da Alemanha. O chá tinha o nome de Edelweiss em homenagem à esposa do fazendeiro.
Em 1974, a Fazenda São José do Manso foi vendida para o historiador Tarquínio José Barbosa de Oliveira, que tentou recomeçar a produção do chá preto. Quando assumiu a fazenda, o historiador encontrou a área de plantio tomada pelo mato. Limpou tudo e recomeçou a produção, mas não teve o mesmo sucesso do Chá Edelweiss.
Análise do Parque e Adjacências
Entorno do Parque
Ações de Desenvolvimento x Impactos
Existem atualmente diferentes conflitos entre as ações antrópicas do entorno em relação ao parque, identificadas pela atual administração como a extração de madeira, as queimadas, a mineração, a caça, as espécies exóticas e a ocupação. Dentre os mais impactantes estão às queimadas e a extração ilegal de madeira.
A criação do parque está intimamente ligada a essas questões, uma vez que com a imposição de regras distintas às vigentes no passado da região, os moradores tiveram suas atividades tradicionais proibidas. Como não conseguiram se adaptar a esse novo contexto e mantiveram-se alheios a concepção do parque, as comunidades locais têm dificuldade em compreender tais legislações e seguem impactando o meio ambiente.
A extração de madeira – sobretudo a candeia – acontece principalmente pelos moradores de pequenas comunidades no entorno direto do parque, como Lavras Novas e Passagem de Mariana. Essas pessoas ainda têm necessidade do uso da madeira de várias maneiras, como em fogões de lenha, cercas, etc. Ainda que a extração ilegal seja um problema dentro do parque, toda madeira roubada confiscada é reutilizada em benefício para a própria unidade, como, por exemplo, para a construção de intervenções nas trilhas, com em escadas e passarelas. A vegetação sofre também com a coleta predatória de orquídeas e bromélias pelos visitantes.
Como a fiscalização é intensa, a direção do parque credita parte dos incêndios a essas pessoas que têm sua tentativa de extração de madeira dificultada. Assim, Edmar, um dos biólogos do parque, crê que a maior parte dos incêndios realmente é criminosa, como uma forma de reação contra a fiscalização do corte de madeira dentro da área do parque. Apesar disso, também ocorrem incêndios causados por questões naturais, e que se alastram devido ao clima seco da região.
Por sua vez, a mineração representa um menor impacto, uma vez que no presente momento, a maior preocupação com essa área é a recuperação das áreas danificas pela mineração, no passado.
A caça a animais silvestres também abrange a área do parque podendo ser verificada sobretudo no município de Mariana, atingindo alguns pássaros e mamíferos como o tatu. A pesca também ocorre em diversos pontos do Parque, principalmente no sítio Custódio.
A presença de espécies exóticas como o Eucalipto altera substancialmente a estrutura da vegetação nas suas áreas de ocorrência, modificando a paisagem do parque. Da mesma forma, animais como cavalos e bois afetam todo o ecossistema da região.
Anteriormente a criação da Unidade de Conservação, as moradias existentes em seu território foram adquiridas pelo IEF por um preço justo, em comum acordo entre as partes. Dessa forma, não houve conflito no manejo de ocupação do parque, uma vez que a desapropriação ocorreu de maneira pacífica. Entretanto, hoje o parque sofre com a expansão urbana de bairros limítrofes, que acabam por invadir as áreas demarcadas.
Ações Educativas
Os visitantes são recebidos na casa bandeirista, onde obtêm informações sobre as particularidades históricas do parque, principalmente sobre as edificações, como a própria casa Bandeirista, o Museu do Chá e a Capela. Em seguida, são dadas informações gerais sobre as três trilhas, que são interpretativas (com acompanhamento de monitores e atividades ao longo do caminho).
Com as facilidades de acesso a informações hoje em dia, há uma preocupação de não somente informar ao longo do percurso, mas também sensibilizar para a questão ambiental e explorar os sentidos ao longo da trilha (o toque, a audição, etc.). Se antes, as visitas eram realizadas como uma reprodução do ambiente de sala de aula, hoje eles buscam uma mudança nesse aspecto, despertando maior interesse no visitante por meio de informações precisas e atrativas.
Dentre os planos de turismo desenvolvidos pelo turismólogo contratado pela FEOP para o parque, Rodrigo Silva, está um projeto de acompanhamento aos alunos antes, durante e depois da visita. No momento em que a visita é marcada, prevê-se uma introdução do tema pelo professor em classe, por meio de informações sobre o parque e orientações sobre o que explorar na visita. Para o momento da visita em si, o plano desenvolvido quer explorar muito mais que o ambiente natural em si, para uma educação ambiental completa. Para isso, estão previstas apresentações de teatro (em parceria com a Escola de Teatro da UFOP), um Festival de Bonecos e a implantação de um laboratório no centro de visitantes. Para o momento seguinte à visita, o parque quer produzir material institucional, com a criação de um calendário ambiental para as escolas, com datas relativas às questões ecológicas e atividades a serem desenvolvidas pelos alunos.
Outra idéia a ser desenvolvida é a criação de roteiros diferenciados com assuntos específicos a serem abordados. São eles: marrom (solo), verde (vegetação), e azul (água). Essa idéia surgiu da necessidade de se padronizar visitas, uma vez que as escolas chegavam ao parque com uma idéia pronta sobre o que desejavam abordar. Dessa forma, os programas tentam abarcar diferentes necessidades.
Além disso, o turismólogo e uma das monitoras realizaram no passado um curso de inclusão social e estão desenvolvendo novas formas de inserir pessoas com mobilidade reduzida nos atrativos do parque.
Ações de Conservação do Patrimônio Natural e Cultural
As ações de conservação do parque passam pelas questões do meio ecológico e cultural-social. Em ambas, percebem-se acertos e falhas nos projetos/planos implementados.
Com relação às questões naturais, o que podemos observar é que o parque apresenta contradições em diversos sentidos. Ao mesmo tempo em que se procura desenvolver uma consciência ambiental em seus visitantes, os parque realiza em seus atrativos alguns danos irreversíveis à natureza e à paisagem, como por exemplo, na Trilha da Lagoa – a presença dos decks para banho e tirolesa fere a paisagem.
Com relação ao patrimônio cultural, a recuperação da Casa Bandeirista recebeu um projeto que respeita as características do lugar, assim como mostra o estado em que o ser humano permitiu que a edificação alcançasse. Mas de nada adianta a requalificação de construções históricas se elas são subutilizadas. O que acontece neste caso é uma requalificação sem um plano de revitalização – no sentido literal da palavra.
Outro problema acontece com a Capela de São José. Este local, que dá nome a uma das trilhas, encontra-se fechado a maior parte do tempo, o que é incoerente com a paisagem e a história do lugar. Um plano turístico bem acabado deve incluí-la não somente no trajeto do passeio, mas também dar vida a ela, com missas e passeios internos guiados.
Também nota-se um descaso com o maquinário da indústria do chá, que está localizada como se fosse um simples depósito. A questão histórica, o tempo todo, parece ser algo não muito bem resolvido para a administração do parque, que reforça a contradição entre preservacionismo e conservacionismo, desprezando parte importante do passado do lugar.
Um ponto positivo em relação à conservação do patrimônio é o de que todas as edificações do parque são reaproveitadas da época da Fazenda do Manso, com exceção da área de camping e da moradia dos biólogos/gerentes do parque. A casa de hóspedes, por exemplo, era a casa do proprietário da Fazenda, enquanto o alojamento era utilizado para a hospedagem dos colhedores de chá, que poupavam tempo e energia para não precisarem voltar a Lavras Novas, distrito de onde a maioria dos funcionários era oriunda.
Ações de Participação e Controle Comunitário
Os moradores de Ouro Preto e Mariana associam a área do parque, na maioria das vezes, somente ao Pico do Itacolomi. As atrações não são bem divulgadas em ambas as cidades, e os habitantes também não são incentivados a visitação. Isso mostra como há uma distância entre parque e comunidade local.
A comunidade do distrito de Lavras Novas possui uma relação mais próxima com o parque, seja devido à história (desde a época da exploração do chá, quando a maior parte dos moradores do distrito trabalhava nas plantações), seja devido ao trabalho atual de algum dos seus moradores, de outras formas, como vigilantes, condutores, etc.
Para que a população conheça os atrativos do parque e se sensibilize com a questão ambiental, o plano de turismo prevê várias formas de inserção da população. Uma delas foi o Festival de Papagaios realizado no primeiro semestre deste ano. Outros projetos prevêem um festival de cinema ao céu aberto, chamado Ecocine, e o projeto guardião da floresta, em parceria com a APAE.
Há ainda uma diferenciação nos preços praticados para entrada no parque. Enquanto turistas devem pagar sete reais, os moradores contribuem com apenas um real (a taxa para os monitores é de três reais). Essa atitude também visa modificar a atual situação, entretanto a iniciativa não tem ampla divulgação.
Ambiente Interno do Parque
Situação do Parque Estadual do Itacolomi
- Conflitos IEF x FEOP
O surgimento do parque se deve a uma iniciativa de ex-estudantes da então Escola de Minas de Ouro Preto, que se reuniam no Rio de Janeiro e freqüentavam a área do parque durante sua vivência em Minas Gerais. Eles tiveram a idéia de proteger a região, mas até então as áreas de preservação não recebiam classificações técnicas como hoje. Em 1977, portanto, foi fundado o que hoje é o Parque Estadual do Itacolomi.
Desde então, o próprio conceito de unidades de conservação modificou-se, e os reflexos aparecem na estrutura do parque e na postura dos profissionais envolvidos. No caso mineiro, essa evolução encontra-se em um momento em que existem duas correntes de desenvolvimento e manejo de unidades de conservação: uma que acha que deve se fechar as áreas verdes, para a preservação total de sua área, enquanto outra defende a criação de parques para a freqüentação de visitantes, para promover a educação ambiental.
O Parque Estadual do Itacolomi é gerido atualmente por uma gestão compartilhada entre o órgão estadual do IEF e a FEOP. Esse compartilhamento é responsável por um visível conflito existe dentro do parque no que diz respeito tanto aos objetivos quanto as ações. Os funcionários administrativos e os biólogos pertencentes ao IEF possuem uma visão mais ecológica, e buscam ações que sejam capazes de conservar sem limitar a visitação, enquanto os funcionários da FEOP, como o turismólogo recém contratado, Rodrigo, possuem uma visão mais voltada para o lazer e a recreação dos visitantes. O conflito ideológico é claro, uma vez que a opinião dos biólogos é antagônica à do turismólogo.
Para Edmar Monteiro, biólogo e administrador do parque, não existe motivação maior para a visitação em uma UC que não seja a educação ambiental. Para ele, esse deve ser o mote da visita. Também é possível conjugar com outros fins, como entretenimento, diversão, etc., mas com limites definidos para que seja respeitado o ambiente local. Entretanto, com a instalação da tirolesa e do deck na Lagoa da Capela, além de áreas de churrasqueira e camping, o parque tem se direcionado cada vez mais do conceito de parque de recreação.
- Plano de Manejo
De acordo com o conceito adotado pelo IBAMA, o Plano de Manejo é um projeto que determina o zoneamento de uma determinada Unidade de Conservação. Ele caracteriza cada uma das zonas e propõem desenvolvimento físico de acordo com as suas finalidades. Estabelece, assim, diretrizes básicas para o manejo da Unidade. Alguns exemplos de zonas são: Zona de Amortecimento, Zona de Uso Conflitante/Infra-Estrutura de Base, Zona de Uso Especial, Zona Intangível, Zona Primitiva, Zona de Recuperação Zona de Ocupação Temporária, Zona de Uso Extensivo e Zona de Uso Intensivo.
O seu objetivo é estabelecer uma metodologia flexível e dinâmica que permita um melhor planejamento, proporcionando um instrumento que desenvolverá conhecimentos e ações. A elaboração do Plano deve ser gradativo, flexível e participativa.
O Plano de Manejo do Parque do Itacolomi está concluído, mas ainda não foi aprovado, e por isso os pesquisadores não tiveram contato com ele, com exceção do Plano de Uso Público, que é bastante breve, sem muitos detalhes, o que indica que o Plano não é muito profundo e detalhado.
De acordo com os funcionários do parque, especialmente o turismólogo Rodrigo, embora o pico do Itacolomi esteja localizado no centro do parque, em zona delimitada para não acesso, existe o interesse em se criar trilhas de acesso ao pico. Essas trilhas contarão com infra-estrutura de acesso como corrimões e passarelas, mas eles afirmam que esse projeto contaria com um estudo prévio para determinação da capacidade carga e monitoramento após a implementação.
O projeto de abertura do pico para visitação é interessante, uma vez que traria mais atratividade para o parque já que o pico é a sua principal identidade histórica. Além disso, as trilhas disponíveis hoje não são muito interessantes e não funcionam como grandes atrativos. Porém, por ser uma trilha que adentra em zonas não determinadas para uso público, a sua implementação deve preceder de um estudo mais aprimorado dos possíveis impactos.
Infra-estrutura Básica
O acesso até o parque é feito pela BR-356 (Rodovia dos Inconfidentes), nas proximidades de Ouro Preto, onde está localizada sua entrada principal. A partir desse ponto, a estrada prossegue até os principais atrativos por cerca de 5 km em estrada de terra. Esse trajeto pode ser percorrido a pé (aprox. 55 min.), de bicicleta (aprox. 30 min.), ou veículo próprio (aprox. 15 min.).
Da mesma forma, a circulação aos atrativos dentro do parque é feita por estrada de terra. São em geral de boa qualidade, e freqüentemente são servidas por máquinas patrol, que ajudam a nivelar as irregularidades.
A energia elétrica é fornecida pela CEMIG, e dessa forma as instalações de apoio contam com iluminação e eletricidade. Entretanto, há um ponto negativo existente nesse aspecto, que é a atual situação da iluminação do parque. A falta da mesma prejudica os deslocamentos noturnos, uma vez que as placas informativas e as estradas são de difícil visualização.
O Parque Estadual do Itacolomi é também servido pelo SEMAE (Sistema Municipal de Água e Esgoto) que fornece esses benefícios de forma suficiente as necessidades dos turistas e da administração. Como esse é um serviço governamental, assim como o parque, ele é oferecido de forma gratuita.
Para a administração geral das atividades, o parque conta com dois gerentes ligados ao IEF, com formação no campo da biologia. Subordinado a eles, um turismólogo e um biólogo auxiliam nas atividades e desenvolvem o planejamento e a gestão do turismo. Há ainda dois monitores permanentes que guiam os visitantes pelos atrativos do parque, auxiliada por quatro estagiários do CEFET com curso técnico em Turismo e Meio ambiente, todos contratados pela FEOP.
Como forma de conter um dos mais graves impactos antrópicos existentes – os incêndios -, o parque conta com uma brigada de incêndio permanente, que atualmente conta com quatro pessoas. Uma dessas pessoas se localiza no Morro de Santana, local elevado e que possibilita monitoração e visualização ampla do parque. A sede da brigada está localizada na portaria do parque.
O parque conta também com algumas estruturas físicas de apoio. Uma delas é o Alojamento, que comporta cerca de 40 pessoas, voltado apenas para visitantes com objetivos científicos. O Centro de Treinamento funciona para realização de cursos, possuindo 100 lugares, além de equipamentos de áudio e vídeo. Há ainda a casa do gerente, onde a administração atual mora permanentemente.
Para o transporte, tanto dos funcionários quanto dos turistas, da portaria até o núcleo das atividades, existe uma van que desempenha o serviço e possui horários pré-determinados. Também há dois veículos do IEF que realizam os deslocamentos no interior do parque, auxiliando nas pesquisas científicas e no monitoramento das atividades, além de dar assistência em casos de incêndio.
Infra-estrutura Turística
Para receber os visitantes, o Parque Estadual do Itacolomi possui uma estrutura de apoio básica, servida por seus funcionários permanentes.
Logo na entrada principal do parque, existe uma portaria com monitoramento 24 horas, que realiza o primeiro contato com o visitante. Há também um desejo em se estabelecer uma nova portaria servindo os visitantes advindos de Mariana, porém essa possibilidade é contestada tendo em vista as dificuldades de monitoração de uma nova via de acesso.
Juntamente a entrada principal está o Posto de Credenciamento, que realiza o cadastro de todos os visitantes para controle de sua circulação e permanência. Dessa forma, evita uma exploração turística desordenada e outros eventuais problemas.
A partir desse ponto, para que o visitante chegue até o núcleo de atrativos, é necessário percorrer 5 km de estrada de terra. Essa grande distância a ser viajada é problemática, uma vez que atrapalha a receptividade e a dinâmica turística.
No núcleo de atrativos, já no interior do parque, o turista recebe as informações básicas sobre a história área, os serviços de apoio, os atrativos e os regulamentos do parque. O local utilizado para esse contato com o turista é a Casa Bandeirista. No local ele também pode receber o acompanhamento de um guia especializado para as visitas, após efetuar o pagamento de três reais por pessoa.
Nessa mesma área está localizado também o Refeitório, capaz de acomodar grupos de 30 a 40 pessoas, assim como a Área de Camping. Nesse último caso, ainda que seja um campo de grande extensão, não possui iluminação, e árvores suficientes para proporcionar sombra e suporte para a armação das barracas.
O parque conta com alguns banheiros para uso público – sendo três no total -, localizados na Casa Bandeirista, na Área de Camping e no Posto de Credenciamento. Um telefone também está disponível no Refeitório.
Como forma de auxiliar no deslocamento e localização do turista, existem placas distribuídas com o intuito de guiar o turista pelo interior do parque e até seus atrativos. Nesse caso, as placas têm boa atratividade, são de design limpo e de constituição pouco impactante. Contudo, seu posicionamento é muitas vezes insuficiente, podendo gerar confusões ao turista. É também feita de material frágil (vidro) que pode ser facilmente depredado. Tanto na entrada como no interior do parque estão localizados totens da Estrada Real.
No mesmo sentido, na entrada do parque é fornecido um pequeno folder com informações sobre a área. Entretanto, na atualidade, o material fornecido é de baixa qualidade e atratividade, possuindo poucas informações e um mapa confuso. Além disso, é de difícil manuseio e cuidado, principalmente para pessoas que pretendem fazer as caminhadas.
Como forma de divulgação externa, o parque utiliza de poucos meios de promoção, e esse parece ser um dos principais motivos pelo qual o lugar não é muito conhecido pelos moradores locais de Ouro Preto e Mariana.
Dentre os meios existentes, o que parece ser mais eficaz são os dados disponibilizadas no site oficial do parque e no site do IEF. Lá estão apresentadas as informações sobre o parque, tanto em suas características físicas e históricas, mas também sobre a visitação, atrativos existentes, etc.
Existem cartazes espalhados por Ouro Preto incentivando o morador local a conhecer o parque, o que não parece ter o efeito esperado, pois se trata de um projeto isolado, sem conexão com um plano maior de marketing para o parque. Aliás, este parece ser um problema generalizado para todas as áreas públicas de conservação.
Conclusão
O que falta aos parques brasileiros é investir concretamente na visitação pública, e não enxergar o visitante como uma possível ameaça ao ecossistema. Pela história do Brasil, o brasileiro sempre foi desencorajado a entrar em contato com a natureza, como fazem habitantes de outros lugares do mundo. Esta distância não é saudável e pode afastá-lo cada vez mais da consciência ecológica e da educação ambiental.
Um plano de marketing e interpretativo é fundamental aos parques, e vemos que a grande parte dos parques brasileiros não o possui. É preciso transformar os parques nacionais em produtos acabados e bem traçados. A visão de produto se opor às premissas ecoturísticas de conservação, e sim devem caminhar lado a lado. Enquanto o turismo não parar de ser visto com o vilão da natureza, a sonhada educação ecológica vai afastar-se cada vez mais. E a falta de um plano de marketing que leve o brasileiro para visitar suas áreas naturais protegidas dificulta qualquer tipo de interação consciente entre o homem e a natureza, fazendo com que o debate ecoturístico (trilhas, capacidade de carga, interpretação) seja válido, mas somente em seus aspectos conservacionistas, e não na necessidade de formar a consciência ecológica do cidadão e na transformação do parque em um produto turístico bem acabado.
No caso específico do Parque Estadual do Itacolomi, um agravante é o desgaste interno no setor administrativo. Percebe-se que algumas questões entre membros do IEF e da FEOP não são bem resolvidas, e muita energia é desperdiçada neste entrave. A função de cada um dos setores acaba sendo mal resolvida e o entrave para o desenvolvimento de projetos e aplicação de planos vem à tona.
Por fim, as trilhas do parque são um reflexo de todas estas questões. O envolvimento de pessoal de outras áreas – designers, redatores, arquitetos etc – é fundamental para uma trilha que seja, ao mesmo tempo, bem acabada e respeitosa aos princípios do ecoturismo, o que também não fará sentido se esta nova trilha sugerida não fizer parte de um plano de desenvolvimento maior.
Referências
- Bibliográficas
- CARVALHO, Isabel Cristina de Moura (2004), Educação Ambiental: a formação do sujeito ecológico. São Paulo: Cortez Editora.
- DIEGUES, Antônio Carlos Sant`Anna (1998), O Mito Moderno da Natureza Intocada. São Paulo: Editora Hucitec.
- FENNELL, David A. (2002), Ecoturismo uma introdução. São Paulo: Editora Contexto.
- GOMES, Patrício Melo (2000), (Eco)Turismo: uma (re)leitura dos discursos. Dissertação de Mestrado. Brasilia.Universidade de Brasília UnB.
- TERROR, Vinícius (2007), Apostila do Monitor. Parque Estadual do Itacolomi.
- WEARING, Stephen e NEIL, John (2001), Ecoturismo Impactos Potencialidades e Possibilidades. Barueri, SP: Editora Manole.
- À Internet
Ambientebrasil, Parque Estadual do Itacolomi/MG será aberto no dia 30 de abril. 14/04/2004. Disponível em: http://www.ambientebrasil.com.br/noticias/index.php3?action=ler&id=14349 (16/11/2007)
CPRM, Excursão Virtual pelo Quadrilátero Ferrífero nos Domínios da Estrada Real. Disponível em: http://www.mgerais.net/cprm/01.html (16/11/2007)
Ecosfera Turismo e Meio Ambiente. Disponível em: http://ecosfera.sites.uol.com.br/ (15/11/2007)
Forasteiro, Parque Estadual do Itacolomi. Disponível em: http://www.forasteiro.com.br/minas/local/cidadeb?cod_cidade =963000154 (16/11/2007)
IBAMA, Plano de Manejo. Disponível em: http://www.ibama.gov.br/siucweb/guiadechefe/guia/f-3corpo.htm (16/11/2007)
Lavras Novas, Ouro Preto, Minas Gerais – Site Oficial. Disponível em: http://www.lavrasnovas.com.br/lazer/itacolomi/index.htm (15/11/2007)
Parque Estadual do Itacolomi. Disponível em: http://www.parquedoitacolomi.com.br/ (14/11/2007)
Parque Estadual do Itacolomi, Ouro Preto – Idas Brasil. Disponível em: http://www.idasbrasil.com.br/idasbrasil/parques/Itacolomi/port/apresent.asp (14/11/2007)
Prefeitura de Mariana. Disponível em: http://www.mariana.mg.gov.br/chPrincipal/ini.asp (14/11/2007)
Revista MUSEU, Parque Estadual do Itacolomi abre ao público em maio. 15/04/2004. Disponível em: http://www.revistamuseu.com.br/noticias/not.asp?id=3795&MES=/4/2004&max_por=10&max_ing=5 (16/11/2007)
Foto 1 – Arquivo pessoal
Não se esqueça de dar crédito aos autores!
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parabens pelo seu trabalho !
com o turismo e a fiscalizaçao de voces o parque e as matas sempre existirao
continuem assim!
as matas agradecem e nos tamben!
Obrigado pelo apoio!